(To) Belong
Tem dias que simplesmente não dá. Por mais esforço que eu faça simplesmente não dá.
Se tem explicação eu não sei, nunca me preocupei muito em encontrar. Porque simplesmente não dá ué. Que diferença faz?
É tudo diferente, tudo estranho no sentido pleno da palavra. Ele, ela, todos. Este e aquele também. Nada pertence. Na verdade eu não pertenço.
Eu sou a peça que sobra (ou a que falta em algum lugar que ainda não encontrei).
Mais um ritual
E mais um ano se foi ou mais outro está prestes a começar. Vale a preferência do cliente. Com mais alegria ou mais tristeza, depende de você e do que você sente aí dentro da sua caixa torácica.
Pra mim a coisa é um tanto triste. O sentimento do Natal não muda muito na verdade. Com o plus de dessa vez nem se quer receber presentes (sim eu sou errada e não penso no verdadeiro sentido das festas de fim de ano). Mas poxa, me deem um desconto, eu simplesmente não tenho essas tais festas.
Vai ser a mesma coisa creio eu. Dormirei na véspera e trabalharei no dia. Com um ou outro prato especial nos intervalos do comum. Uns tantos abraços e votos de todas aquelas coisas também aparecem com frequência.
Em alguns momentos do desânimo extremo, penso em como é pular as 7 ondas (são 7 mesmo?), dar presentes pra Iemanjá e ficar horas em um congestionamento monstro pra chegar até o litoral onde falta água e o povo usa pouca roupa. Parece bem ruim na verdade. Porém, se você parar pra pensar que a pessoa aqui vai ter que enfrentar a Anchieta sentido litoral por volta das 13h de hoje para fazer o trajeto trabalho-casa achar um lugar na areia suja talvez pareça bem interessante.
Eu queria era reunir uns bons amigos e fugir pra algum lugar. Não por ser fim de ano. Nem por participar de nenhum ritual. Apenas pra ter uma noite boa quando a maioria parece se obrigar a isso. Queria me obrigar também, sabe como é?
Outra obrigação é a de fazer retrospectivas de 2009 e promessas para 2010. Um balanço de tudo que aconteceu e de tudo que você pretende (e provavelmente não vai) fazer no ano que começa amanhã.
Aconteceu muita coisa boa em 2009 e mais algumas coisas se quebraram também. Perdi pessoas pelo caminho sem culpa. Simplesmente as estradas se dividem. E acredito que alguns nem se dão conta disso.
Tive diversos momentos memoráveis. Uma viagem incrível, alguns bons shows, novas amizades e abraços. Do ruim eu prefiro não lembrar. A pedra pesada em cima deles resolve. Ao menos por ora.
Pra 2010 eu espero aprender escrever de acordo com as novas normas de ortografia. Te juro, é meu maior medo e maior obrigação.
Emagrecer, fazer exercícios, me importar menos, me divertir mais, resolver questões pendentes e arrumar o rumo da minha vida? Claro que sim, mas isso todos querem não?
Eu espero não mudar muito. Aprendi que ser quem eu sou não é ruim. Posso ser peculiar como ouvi mas gosto de ser assim. Sou certa das minhas conviccções e tenho minha consciência livre. Também sou certa das minhas falhas e faço o que posso para minimizá-las.
No fim, sejamos realistas, é uma troca de agenda. A troca de dois números depois da barra final da data. A esperança de que tudo melhore. Um ritual necessário.
2010 pelo menos é um número bem bonitinho né? Vamos à ele.
Ritual
Hmmm… Chegou a tal véspera, a primeira das duas que sempre aparecem de mãos dadas com um desconforto no estômago e um aperto no peito.
Não sei bem porque isso acontece. Gostaria de dar de ombros e dizer que não me importo. Mas não é bem assim que funciona.
Fico pensando o que realmente é esperado dessas vésperas…
Muita comida, muita gente tentando ir para o mesmo lugar, correria para o creme do pavê engrossar e a espera para o peru apitar no forno. Uma mãe estressada porque tem que fazer tudo e já está próximo da meia noite, as pessoas vão chegar e ela ainda nem conseguiu tomar banho. Um pai brigando com a rolha do champanhe.
O cheiro do banho da irmã e a campainha tocando; do outro lado, o cunhado e os amigos do irmão.
Eu de roupinha nova esperava o Papai Noel ou a contagem regressiva. Dependendo se a ansiedade era para o dia 25 ou o dia 1º.
Eu confesso que gostava disso…
Gostaria ainda.
Gostaria de me irritar tendo que escolher roupa nova, de ouvir que não ajudo em nada e de encontrar a família que não necessariamente quer estar lá unida. Tudo isso compensava os abraços sinceros com choro preso na garganta à meia-noite. Compensa não ter que lidar com sorrisos falsos e um “tudo bem” que mal sai da garganta quando perguntam “como foi de festas??”
É a tentativa de que dê certo sabe como é?
De um tempo pra cá, junto com tantas outras coisas, tudo isso foi se perdendo. Só fiquei com os conflitos em família, a correria para comprar presentes e as pessoas sensíveis ao extremo. Nem o tal peru que não cabe no freezer foi comprado.
Pra não passar em branco… Feliz Natal e Feliz Ano Novo pra quem pode ter um! Eu? Dormirei na véspera e trabalharei no dia.
A parte boa se resume no sorriso das sobrinhas ao abrir os presentes, e eu finjo que isso me basta.
Era uma vez…
Os livros infantis são super bem estruturados, com começo, meio e fim. Geralmente um final feliz.
Os livros adultos tem diversas idas e vindas e nem sempre um fim com cara de “acabou”. Vale a interpretação de quem lê. Fica lá aberto e você acha o que quiser. Não raras são as vezes que na última página provocam uma expressão de “oi?” no leitor.
A literatura imita a vida. E qualquer semelhança não é coincidência.
Círculo vicioso
Eu me apego demais as pessoas. Fato mais do que confirmado, consumado e reconhecido em cartório. Consequentemente espero demais delas e me decepciono na mesma proporção. É a ordem natural das coisas… infelizmente.
Sei muito bem que o grande segredo pra ter uma vida feliz e tranquila é não esperar nada de ninguém, nunca, em hipótese alguma. Só espere de você mesmo e mesmo assim espere uma decepção ou outra se você for como eu.
Mas eu sou cabeça dura, não é segredo pra ninguém. Repito alguns erros até a exaustão, que naturalmente, nunca chega. É mais um ciclo da minha vida; o problema é que ele se repete ao menos uma vez por semana, 15 dias se eu tiver muita sorte ou em uma fase muito boa.
É simples. Apego gera expectativa que gera decepção que gera desculpas que gera apego. Pegou né?
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Eu poderia ficar o dia inteiro aqui escrevendo pra tirar tudo de ruim que está em mim. Mas não posso.
Stand-up candy
Tenho trabalhado cerca de 11 horas por dia, de segunda a sexta. Como se não bastasse ainda tenho direito a mais algumas horas de trabalho durante feriados e finais de semana. Trabalho com rádio, a audiçao é minha principal ferramenta. E eu, tão viciada em música, ando bem amiga do silêncio quando me é permitido.
Hoje quando peguei o primeiro ônibus (de 2 necessários) pra voltar pra casa depois de uma cansativa quinta-feira me deparo com um verdadeiro stand-up do vendedor de balas. E o pior?? Não dei risada nenhuma.
Se já é um porre você querer ficar no silêncio e ter criança chorando, mãe gritando, sem-noção com radinho sem fone, gente histérica no celular contando altos babados e um cara vendendo qualquer coisa com aquele discurso batido “Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui trabalhando honestamente vendendo…” Imagina com um vendedor querendo inovar?!?!
O cara vendia as mesmas balas de “iorgute” e “aquelas que fazem bem pra garganta que vendem na farmácia, as de eucaliptcho”. Mas tinha uma postura toda Rafinha Bastos. De repente ele inventava um tema e desenrolava 50 piadas sem graça relacionadas. Até chegar é claro, no mote preferido de quem quer ganhar o povo… Jesus!
Ninguém merece!!
Anoite aí, conselho pra ser um vendedo bem sucedido: Fique quietinho degustando as preciosas balinhas que você usa como mercadoria.Faça também uma cara bem convincente de quem tem todo um discurso pronto na ponta da língua mas a bala é tão boa que você prefere sentir o gostinho a gastar saliva.
Garanto que vai ser tiro e queda. Passar vontade é uma grande arma da propaganda. E se você for vender alguma coisa no ônibus que eu estiver e usar dessa estratégia garanto que compro. Não por vontade, mas por agradecimento por poupar meus ouvidos de tanta asneira.
Obrigação
Ser feliz parece uma obrigação em certos momentos.
Em semanas como esta questiono diversas vezes se estou no caminho certo, se a direção ainda é a mesma. Descubro coisas que não gostaria de ter enxergado. Me recolho em um canto solitário e fico lá pensando se tudo deveria ser como está.
Procuro sorrisos e vejo muita cabeça baixa. Procuro abraços e vejo um distanciamento incompreensível. Procuro você e só encontro um espaço vazio ao meu lado. Não deveria ser assim.
Me ocupo ao máximo, cabeça vazia é aquilo que vocês já sabem. Acho sentido em frases cantadas en um disco que não gostei. Acho que acho demais, que procuro demais. Devia não pensar. Devia deixar como está. Afinal “não vê saida a não ser levar um dia após o outro”, ela diz.
Não devo ser assim, não sei ser assim. Questiono o tempo todo o porquê. Me deixo levar por coisas que não devia. Me decepciono uma vez mais. Ciclo sem fim e dores brandas. Até a sentir dor me acostumo.
É cobrança de um lado e do outro também. Internamente ela é ainda mais forte.
Ser feliz parece uma obrigação em certos momentos. E eu tento cumprir ao máximo. Me obrigo.
Pensamentos soltos traduzidos em palavras**
…ou anotações do caderninho de folhas coloridas que está próximo de seu último suspiro.
* Escrever pode ser um modo de desabafar. Uma válvula de escape. Mas por outro lado pode ser também uma forma de cutucar feridas e fazer constatações que não quero. Infelizmente por esse motivo acabo escrevendo com ainda menos frequência. Lembra daquele papo de “sou apenas mais um alegre deprê”? Pois é!
* Cultura é uma coisa realmente inspiradora! Ler o livro da Takai (NUnca subestime uma mulherzinha) me fez voltar a pensar em criar vergonha na cara e escrever diariamente ou ao menos semanalmente uma crônica que seja. Um dia, quem sabe.
* Ego é uima coisa complicadíssima de lidar. Arrogância é pior ainda. Quando um arrogante nato tem seu ego abalado então… sai de perto!
* Dar a máxima atenção possível as menores coisas cotidianas pode ser recompensante. A cor e o cheiro da maçã da menina do banco da frente no ônibus me deixou com água na boca! Maldito aparelho!! Nota mental: 1ª coisa que vou comer quando me livrar dessa coisa.
- Dos meus defeitos eu sei ou mea culpa
* Não sei receber elogios. Sempre procuro uma justificativa e uso alguma frase sem sentido ou sem cabimento. Pelo que me lembro nunca saiu apenas um sorrisinho ou o costumeiro obrigada. Algumas vezes até complemento com informações de onde comprei, quanto paguei e por aí vai…
* Morro de medo de ouvir um não. Com isso muitas vezes nem questiono ou convido. Mas isso é grave viu? Já imaginou se a outra pessoa também sofrer desse mal? Eu já. Já até perdi um show do RHCP por isso.
* Não sei lidar com pessoas nervosas ou muito reclamonas. Eu até tento, ofereço ajuda. Mas se continuam reclamando muito eu tento a começar a torcer pra essa situação passar logo.
* Tenho tendência a me boicotar. Principalmente por medo de falhar. Já até perdi a conta de quantos boicotes me dei. São inúmeros, disso tenho certeza. O pior? É lidar com a frustração que vem assim que perceço que fiz isso mais uma vez. E aí prometo que foi a última vez. E nunca é, claro.
* Canso de pensar. Ou de anotar tudo que penso. Muita coisa se perde. Outras se ganham.
** Jota Quest – O que eu também não entendo
Só pra registrar mais uma lembrança recorrente nessa semana. Quando tinha os meus 15 anos fui pela última vez no show dessa banda e pulei enloquecidamente ao som de “o telefone é 3555 e a casa dela é na avenida 35″. Ahhh que saudade!
Inspiração admirável
Algumas mudanças aconteceram e eu estou um pouco mais livre enquanto devo cumprir um certo espaço de tempo em um lugar determinado. Em outras palavras: o serviço no trabalho está sossegado. Mas dizem que é pra ficar melhor um pouco pra frente. Acredito e fico na minha, deve ser o melhor a fazer por enquanto. Espero mais mudanças.
Com isso, pra me manter acordada e não atacar a gastrite com excesso de café coloco minhas leituras virtuais em dia. Eu não consigo ler textos muito grandes nessa telinha que me seca os olhos, sinto falta de sentir o peso de um livro nas mãos. Já blogs de amigos e pessoas que admiro, ah… aí é uma facilidade só.
Tem uns e outros que não tenho muita paciência. Escritos em “internetês” faço questão de manter meu navegador longe, coisas muito fúteis também não figuram no meu histórico. Agora 90% dos que estão nessa lista aí do lado são responsáveis por me fazer pensar e chegar com um sorriso ou lágrimas no final de um post. E aí tá feito o casamento.
Um em especial me faz bem sempre. É propriedade de um cara que admiro há um certo tempo. Ele lá em cima do palco com a guitarra e seu ar de Jack Skellington. E eu quase sempre na primeira fila aplaudindo a banda da qual ele faz parte (vale dizer aqui que nunca tive problema em manifestar meu lado tiete, acho isso bem saudável na verdade. Idolatria não, mas admiração é praticamente um elixir da felicidade).
A banda: Nenhum de Nós. O guitarrista blogueiro: Carlos Stein. O blog: Trocas Justas (http://carlosnenhum.blogspot.com).
É impressionante a familiaridade e intimidade que ele tem com as palavras. A facilidade que parece ter em traduzir em parágrafos e mais parágrafos alguma coisa que nunca havia me dado conta. A dinâmica de tudo que escreve. E o mais importante: a capacidade de fazer com que o texto soe sempre tão familiar e gostoso a ponto de mudar uma manhã fria de sexta-feira que precede um plantão de sábado.
Palmas e mais palmas. Sorrisos no rosto e diversos obrigadas. Um grito histérico de tiete (Jaaaaaaack). Fã convicta da música e agora também de suas tão bem traçadas linhas. Leiam, vale muito a pena e você preenche seu tempo.
*Aviso* Escrevo esse post entre matérias editadas, cadastros feitos, orientações e dúvidas respondidas. Então se faltar algum sentido, me perdoem, mas foi quando e onde surgiu vontade de postar.
“Preciso me perder, como preciso de ar”
Fui para o paraíso, voltei e não queria. Lá descobri como viver sem angústia, sem ambição sem fundamento e sem jogos de ego e personalidade.
Uma semana longe pra viver. Era o que eu precisava, e o que eu tive.
Mas na verdade descobri que preciso de mais, de uma vida de verdade, de menos preocupação e uma velocidade cadenciada, ora mais lenta, ora mais veloz. De acordo com o permitido e o necessário.
Aqui há muito a conciliar, a pesar, a encontrar prós e contras e muitas decisões a tomar. As quais na maioria das vezes tomo de maneira errada. Se não pra mim, para os outros assim parece.
Fecho os olhos e relembro. Vejo e revejo as fotos e desejo. Suplico por uma vida que se assemelhe àquela ao menos em 1%.
Não sei se peço muito, se reclamo demais. Sei que sou demasiadamente inclinada a encucar, a deprimir, a questionar. Lá não havia porquê. Lá fui feliz.
Fuga. Refúgio. Chame do que quiser, eu preferi traduzir como paz.
“Perder o rumo é bom se perdido a gente encontra um sentido escondido em algum lugar” *
Sentido encontrado. Vou lá, a vida real me chama e devo obedecer.
* Enghaw – Faz Parte


