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Preguiça é uma das coisas mais insuportáveis da vida não?
O problema é o quão sedutora essa maldita pode ser. Ela chega como quem não quer nada, vai se aconchegando aos poucos e quando você menos espera lá está ela toda acomodada. E aí já era né? Porque vamos combinar que nada dá mais preguiça do que lutar contra a preguiça. E se dá vontade de fazer alguma coisa é só ficar quietinha que ela vai embora rapidinho; a vontade, a preguiça nunca.
Eu tenho uma tendência gigantesca a ceder aos seus encantos. Confesso que nem luto muito. E a culpa é dela, é sempre dela. Mas quando eu crio vergonha na cara e luto o resultado é tão compensador.
Ontem por exemplo. Saí do trabalho e tinha que andar um tanto pra chegar ao médico. Já na porta da firma vi aquela garoinha, uns guarda chuvas passando, um ventinho gelado e eu sem blusa de frio. A vontade de pegar o ônibus e ir pra casa foi gigantesca. Mas resolvi ser responsável, dar um tapa na cara dessa desavergonhada e fui lá caminhando, almocei e depois fui pra consulta. A sensação? De verdadeira vitória. Triunfei sobre você!! Ha ha ha!! E ainda ganhei um bônus de ânimo e fui ao mercado depois de adiar por 3 dias seguidos.
Nada me deixa mais feliz do que riscar da listinha de afazeres os deveres cumpridos. Experimente, vale a pena.
Ah sentiu falta do título? Sabe como é né, eu ía pensar em algum mas deu uma preguicinha…
Bloco de notas
Ai ai ai, será que eu ainda sei escrever? Será que algum dia eu soube?
Eu sempre escrevi por hobby, desde que aprendi a traçar as primeiras linhas. Lembro muito bem de pedir temas para a família quando era criança para poder desenvolver redações. A professora pedia no máximo duas por semana e isso sempre foi muito pouco pra mim. Sim, eu era nerd, mas a coisa com a escrita ía além.
Quando cresci um pouco desatei a fazer meus diários, agendas, e mais tardes blogs. No começo registrava tudo; com o passar do tempo e o aumento de responsabilidades escrever virou uma válvula de escape. Com isso não é de se espantar que na maioria esmagadora das vezes meus textos fossem tristes. Eles se tornaram tristes em alguma parte da vida, não sei precisar quando. E isso não quer dizer, espero, que eu tenha me tornado triste também. É só a questão do tempo, era a necessidade de escrever pra não explodir.
Na hora de decidir a faculdade e o que eu “queria ser” óbvio que a escrita também teve um peso grande. Jornalismo foi a escolha. E foram os 4 anos em que mais escrevi na minha vida, eram cerca de 10 textos por dia: pra faculdade, pros sites que me metia a escrever sobre cultura e pra mim.
Hoje sou formada, trabalho na área mas não redijo textos. No máximo redijo e-mails e relatórios. E esse blog também ficou esquecido porque eu precisava fugir dos problemas e não queria mais escrever textos tristes, ao menos não por um tempo. A fotografia foi minha amiga nesse tempo, imagens são mais fáceis, menos expostas (será?).
De uns meses pra cá a vontade de escrever tem gritado no meu ouvido, dado um comichão nos meus dedos, me empurrado pra vida e me mandado ter coragem. Resolvi ceder. Não sei se estou certa, não sei se ainda sei escrever, mas preciso. Desenferrujar é preciso.
O curioso é que antes de escrever essas linhas li vários textos antigos. E olha que eu até acho que sabia. Firmei um compromisso, quem sabe em breve tenha novidades.
Se é que alguém ainda vem aqui torçam por favor!
Simples beleza
Acabaram de falar na rádio Litoral que uma jovem anda pela areia da praia protegida por um guarda chuva colorido.
Imagina só, a cena deve ser linda.
Assim como é um moletom em dia de sol. Ou aquela brisa fresca durante o calor.
Deve até ser tão bucólico quanto a borboleta que sempre me recepciona no jardim do prédio ao lado.
Ando obcecada pela beleza de cenas simples e inesperadas.
Aprenderei a fazer cupcakes.
Espírito natalino
Apesar de capricorniana, extremamente responsável, sensata em demasia e chatinha desde criança eu nunca gostei de obrigação. Não gosto nem do peso que a palavra carrega por si só. Obrigar não é uma coisa que pode ser boa né?
Sempre fiz tudo que me era designado, seja na escola ou no trabalho, mas nunca por obrigação. Faço por saber que tem que ser assim, por fazer parte da vida, por aprender e poder ensinar. É a rotina esperada creio eu.
O que nunca consegui tolerar – e acredito que nunca conseguirei – é a obrigação de sentir determinadas coisas ou de me portar de um determinado jeito em uma determinada época.
Não falo necessariamente do espírito natalino que foi quem pareceu mais adequado para um título apenas. Falo de toda esse sentimentalismo de fim de ano.
As pessoas se abraçam, trocam presentes e apertam o botão da falsidade constantemente. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto nem um pouco desse clima, só não gosto da obrigação de ser feliz.
Eu acho a época triste. Talvez por estar no meu inferno astral. Talvez por não ter a época somente para o meu aniversário. Talvez por algo cósmico, cármico… não sei o motivo exatamente.
Montei árvore de natal. Um pinheirinho natural que cheira a limão decorado com laços vermelhos e estrelas prateadas. Me dei um presente que há muito queria. Comi chocotone e cerejas. Comprei presente pras pequenas da família. Troquei abraços no trabalho, não por gostar da época ou por obrigação, só porque gosto de abraços.
Foi então que na véspera, pouco depois da minha mãe chegar do mercado com o peru e decidirmos qual seria a sobremesa o telefone tocou. A notícia não era nada boa, não parecia com o Natal. Minha tia (irmã da minha mãe) havia falecido há pouco. E agora? Como lidar com essa obrigação de felicidade? O jeito foi fazer birra de criança mal educada e sentir o que dava, deixar o Natal pra lá.
Durante o velório que todo esse questionamento me veio à mente. Semblantes tristes por todos os lados e minha tia ali naquela caixa de madeira. Ela estava com câncer e já bem fragilizada, não parecia em nada com a senhora de abraço apertado e café gostoso. Só restavam dúvidas e pesar.
No entanto, em algum lugar dava pra enxergar o tal espírito natalino. A família estava reunida. E a obrigação da felicidade se transformava em frases como “força”, “se precisar estou aqui” e “foi melhor assim”.
Os rituais da vida são muito estranhos. Os da morte, quem sabe?
Cloudy
De tempos em tempos eu encasqueto que devo mudar. Que tudo será mais fácil se eu for um pouco mais parecida com o mundo que me rodeia. Que as pessoas burras são mais felizes e que leveza é questão de desejo.
Aí eu consigo viver assim por um tempo. Coloco um sorriso falso no rosto e faço todos acreditarem.
Mas aí alguma coisa pula na minha frente me dizendo que graças a Deus eu não preciso ser assim. Que ser sombrio tem sua beleza. E assim foi enquanto assistia Grey’s Anatomy ontem.

"You seem like a very nice person. You've been very kind. And you've given me a chance. And it seems like you wanna like me. So it's only fair, you should know... the pink and the ponytail and the smiling with the teeth...I'm a fraud. It's fake. I'm not kind a girl mothers like. I'm not happy and bubbly. I'm dark and cloudy. Because I'm the type of crazy person who feels bad for serial killers."
E isso não significa que eu seja ou esteja triste. Eu estou bem até demais pra ser verdade, se é que pra se estar bem tem limite. Apenas não sou alguém radiante e colorida. Sou cinza, e adoro dias nublados. Sou fã do Tim Burton pelos seus personagens estranhos e encantadores.
Posso não ter cara de muitos amigos mas amo os que tenho e eles sabem disso. Posso parecer avessa a carinhos mas sou louca por um abraço.E posso não sorrir muito, mas as gargalhadas me acometem sempre que tenho um bom motivo.
É Meredith, te entendo perfeitamente! I’m dark and cloudy too!
Passado recente e futuro
Os sapatos arranham os calcanhares, o tênis tinha sido amigo fiel durante as férias. É necessário calejar
novamente.
A rua que liga o ponto de ônibus até seu apartamento parece ter ficado mais longa, a subida mais íngrime.
O mp3 canta com voz rouca e com sotaque gaúcho em seu ouvido desde que tirou o outro fone que gritava notícias sem pausa. É o que faz tudo valer a pena, pensa. Só a música salva.
Faz uma semana que a rotina voltou, as olheiras já marcam seu rosto. O cansaço já começa a se manifestar. Planos para as próximas férias já existem.
A cada passo relembra o passado recente.
Foi pouco mais de um mês de muita intensidade. Pro mal e pro bem, pro ótimo!
As coisas foram se revelando e a vida se ajeitando. Diversão era prioridade. Conheci Buenos Aires, Curitiba e Joinville. Fortaleci sentimentos e me surpreendi com outros. Tirei o aparelho que me acompanhava há quase 3 anos. Vi shows incríveis, incluindo o de um Beatle!!!
Aprendi muita coisa por não ter conseguido ensinar quase nada. Estabeleci metas e tenho feito de tudo para cumprí-las. Sonho bastante e não me arrependo.
A rua chegou ao fim, mas só aquela que leva até minha casa. A estrada continua e me sinto bem mais segura para escolher os caminhos.
Só
Sempre carregava um casaco a mais pra deixar na cadeira ao lado. Assim nunca se sentia sozinha. Andava tão frágil que conseguia se enganar dessa forma.
Era por isso que gostava tanto dos dias frios.
Cada coisa tem seu tempo. Já era experiente o bastante pra saber disso. Os dias passariam e o peso diminuiria. Era o combinado.
Era por isso que gostava tanto dos dias cheios.
A pior saudade é daquilo que não se tem. Um sentimento, só…
Every possible way
“Suddenly something has happened to me
As I was having my cup of tea“
Sabe o que é pior do que não ter tempo pra dormir direito? Ter ganhado uma alforria antecipada, ir pra casa, me jogar na cama e ficar insone.
Foi o que aconteceu comigo ontem. Depois de tanto sonhar com o reencontro com a minha cama não consegui sonhar nela. Insônia total. Todos os fantasmas dançando no quarto escuro e eu lá no canto da cama fazendo o papel da criança medrosa.
Dormi lá pelas 2h com o fone no ouvido. Fazia tempo que não apelava pra música como uma canção de ninar. Ontem ela ficou fazendo o papel de alguém ou algo que me falta. A missão era completar um vazio. É a única coisa que tenho certeza que sempre vai estar lá.
“Suddenly I was feeling depressed
I was utterly and totally stressed”
O problema maior de ficar incomodada (acho que essa é a palavra certa) com alguma coisa em fases não muito boas, é que tudo que me incomoda vem à tona de uma vez só. É um turbilhão, um verdadeiro tornado de sentimentos, questionamentos e dúvidas.
Eu não entendo. Não devia me importar. E o que mais me irrita é me importar.
Mas hoje eu ganhei uma cópia do 500 dias com ela. Tá tudo certo, o nó na garganta vai embora. Infelizmente não da melhor forma.
“And the thing that freaks me out
Is I’ll always be in doubt”
ps. O que me diverte um pouco é que tenho certeza que muita gente vai entender este post errado. Tolinhos.
(Cranberries – Animal Instinct)
Zzzzzz…
Eu só queria um lugar pra encostar e dormir… só um pouquinho.
Já nem faço questão do cafuné.
Tô cansada!!!
A febre de sentir
É estranho o quanto eu queria escrever aqui ontem, mas faltou tempo. Hoje arrumei um tempo, mas falta a mesma vontade.
Ontem o dia estava pesado, difícil, empacado. Hoje não está mil maravilhas, mas por enquanto (ainda nem chegou 8h) parece que tudo irá fluir normalmente. O que mudou? Acho que nada, é só aquela máxima de “só a música salva”, achei um vídeo do Johnny Depp tocando com o Eddie Vedder que me fez ir sorrindo no ônibus sozinha na volta pra casa. Ou talvez nem tenha sido isso, sei lá.
Tenho sonhado muito, com uma intensidade que talvez nem deveria me permitir. Sei que vou acordar e não vai ser muito fácil. Mas é o que tem feito a vida menos difícil. Já ouvi que pareço uma muralha, mal sabem que o material é o mesmo daquelas mobílias do Chaves. Só encostar um pouco mais forte que tudo desaba.
Faz quase 1 mês que minha vida mudou. E eu tenho tentado mudar junto. É necessário, eu sei!
Trabalho cerca de 13 horas diárias há praticamente uma quinzena, ainda tem um mês assim pela frente. Reclamo, estou cansada. Mas se não fosse isso seria mais tempo pra pensar; e pensar não é uma coisa muito indicada né? Os burros sempre são mais felizes, repara só.
O estranho é que a vontade de escrever aqui pulsa muito mais quando a angústia aperta o peito.
“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.” já dizia Fernando Pessoa.
Não faço idéia da solução de nada. Mas um dia eu arrumo dinheiro e me mudo pra Seattle. E aí só vou usar xadrez, tenho dito! Não entendeu? É a minha versão de “se nada der certo viro hippie”.


