Robs observando

O mundo pela minha ótica

Sobre livros e respeito

Ontem desci a Augusta cercada de amigos mais uma vez. Mas desta vez era mais cedo do que o usual. O destino era o Inferno (adoro trocadilhos com o nome deste lugar); lá teve um show do Leela em comemoração ao aniversário da Bianca. Foi muito bom, realmente, mas não é sobre isso que quero escrever.

Na verdade nem sei muito se quero escrever, aliás quero, mas ando com tanto sono que sei que não sai nada digno de ser postado. Mas sei lá, preciso registrar certas coisas.

Voltando…

Descia a Augusta e me deparava a cada quarteirão com uma banquinha recheada de livros pra lá de interessantes. Na primeira tinha “A morte” do Neil Gaiman por R$25!! Tudo bem que a lombada estava um pouco rasgada na ponta, mas ainda assim era o quadrinho mais fantástico do mundo…

- Nossa, é só R$25 mesmo?
- É, ponta de estoque.
- Ah moço mas tá rasgado aqui, não dá pra fazer por R$20?
- Não, esse livro custa R$60
- Ah eu sei, tá barato mesmo, mas é que infelizmente só tenho R$20
- Pede pra algum dos seus amigos
- Mas tá rasgado moço…
- Eu te arranjo outro (e joga em cima da minha mão um exemplar mais rasgado ainda)
- Ah mas esse também tá rasgado
- Não posso fazer nada
- Hmm até que horas o senhor fica aqui? (pensando que na volta do Inferno poderia comprar se continuasse coçando a palma da mão)
- Não dá pra dizer, ou compra ou não compra!!!!
- Ah tá bom então não compro, tchau!

Pouco mais abaixo, outra banca, uma compra. Mas não minha. O cara era meio ogro mas fez o serviço direitinho, foi atrás de troco e ainda ganhou mais uma compra. Não a minha ainda.

Logo mais a frente, alguns livros dispostos no canto da calçada, esse senhor nem banquinha tinha. Um exemplar do Jorge Luis Borges me chama atenção lá no cantinho, pego na mão, folheio e penso se o dono das obras não vai fazer toda minha vontade de comprar ir por água abaixo.

- Oi, posso ajudar? Esse livro é bom viu!! Grande escolha!
- Oi, quanto é?
- Tava R$15 mas posso te fazer por R$10. Li a primeira parte e é muito interessante. Tem uma introdução sobre a poesia gauchesca!
- Ah que legal, acho que vou levar então.
- É, e tem os originais em espanhol e comentários sobre grande parte da obra do Borges.
- Olha, muito obrigada viu? Além do senhor ser uma simpatia ainda dá uma aula pra gente, tem muita gente que precisa aprender com o senhor!

É, posso ser antiga ou romântica demais. Mas respeito e simpatia realmente são fundamentais!

3 Agosto, 2008 Escrito por robservando | Trivial | | 5 Comentários

Ritmo

É disso que eu preciso pra voltar a escrever aqui. Pegar o ritmo da minha vida.

Muitas mudanças de uma vez só, e por incrível que pareça, são todas boas!

Eu chego lá, chego sim. Afinal tudo que não tem ritmo é muito chato não é?

Quando o ritmo chegar, quando eu entrar no compasso, eu volto.

Prometo!

:-D

31 Julho, 2008 Escrito por robservando | Trivial | | 3 Comentários

Nha

………………………….. preguiça, sabe como é?……………Sono…..Preguiça, muita preguiça. Nhaca diz minha mãe e por hereditariedade digo eu.

Fui dormir tão tarde que já era cedo, e me acordaram mais cedo ainda. A furadeira entra na parece e parece invadir meu cérebro. Issos se eu não viajar que é alguma broca gigante querendo mexer nos meus dentes, que por sua vez doem também. Tremem. São moles, me sinto como um bebê que só pode comer papinhas com aparência duvidosa. Aparelho maldito.

A cabeça funciona e vai longe como sempre. Mas a preguiça continua aqui. Nem a xícara generosa de café contribuiu para o despertar do dia. Só contribuiu pra gastrite gritar. Aliás eu disse no exame médico que não tinha, será que tem problema? Ah, mas nunca foi diagnóstica mesmo, eu sempre fugi da endoscopia… só sei que meu estômago dói como eu imagino ser com quem tem gastrite. Então digo que é ela que dói, que grita, que corrói.

Mas não paro de tomar café. Não dá. É pedir demais. Mas a garrafa térmica já tá vazia e a preguiça continua.

Estou na frente do pc desde que fui expulsa da cama, mas nem tenho muito o que fazer. Pulo do orkut, pro fotolog, pro e-mail, pro e-mail do ludovicos e conversas no MSN. Mas sabe quando até dá preguiça de falar com os dedos? Com a boca então affff aí nem se fala, fechada pra balanço.

Mas apesar da preguiça escrevo aqui né? Que contraditório. É mas essa sou eu, a contradição em pessoa mesmo. Prazer, ou não. Caetano é o máximo!

Sei que o post deve estar sem sentido. Mas não vou ler tudo pra arrumar nada. Não vou me preocupar em fazer um fim bonitinho e reflexivo também tá?

…………………..Preguiça!!

17 Julho, 2008 Escrito por robservando | Trivial | | 6 Comentários

Do lado de fora

Já pegou uma longa linha de ônibus, daquelas em que você desce só no ponto final, em um dia de inverno com cara de outono? Sentou em um dos últimos bancos, grudado na janelinha com os fones de ouvido tocando algo que te agrade? E enquanto isso ficou olhando as pessoas que passavam pelas ruas sem pensar em nada além do que elas faziam?

Se já, você entenderá esse post. Se não, experimente, é relaxante, mesmo quando você está atrasado.

Foi assim hoje. Passei mais de uma hora no trajeto Rudge Ramos - Metrô Saúde. Mas não sei se foi o sol que me confortava entrando pela janela ou as músicas que me agradavam. Talvez pode ter sido o destino também. Só sei que parecia poesia.

Aquilo tudo que geralmente é tão urbano, tão corrido e tão desapegado. Ficou bucólico. Acredite.

E é tanta gente diferente…

Uma menina brinca de ser mãe e leva a criança para o médico. O motoqueiro xinga o motorista do ônibus e recebe um sinal bem bonito de volta. A senhora vai de chinelo com meia amarela para o mercado e sai carregada de sacolas… será que vai fazer o que de almoço hein?

Alguns trabalhadores se jogam na calçada e recebem o aconchego do sol, afinal a hora de descanso acaba rápido. Uma criança corre lá na frente enquanto a mãe se descabela dando mil recomendações para a volta da escola (sim, ele estava de uniforme no meio de julho).

Um casal discute na frente de uma casa… logo a frente outro se abraça e troca beijos ali mesmo no meio da rua. O amor não espera, já diziam. Um grupo de senhores joga xadrez na praça um pouco depois dali e sorriem como as adolescentes que saem do mini shopping cheia de sacolas.

Claro que os apressados dominam. A garota de blusa verde e roxa corre para o banco, enquanto o senhor engravatado sai apressado da mesma porta. Os carros buzinam a qualquer parada, mesmo que seja o semáforo fechado. Até um cachorro (malhadinho como uma vaca) se arrisca pela pressa e corre entre os carros.

Mas mesmo a pressa pode ser bonita. Basta ter um sol entrando pela janela. Ou uma música boa nos ouvidos.

Deve ser o que chamam paz de espírito né?

15 Julho, 2008 Escrito por robservando | Trivial | | 3 Comentários

Pão de açúcar

A felicidade é um tanto etérea, efemêra. Daquelas coisas que evapora, dissolve, dilui, desmancha no ar.

Por isso que quando a encontro por aí faço questão de estender os braços e envolver o máximo que puder. Um tanto egoísta até… a ponto de não deixar fresta alguma na porção que me pertence.

É pavoroso vê-la escorrendo pelos dedos que nem um punhadinho de areia. E é tão imensamente prazeroro vê-la entrando no nosso mundo, seja do modo que for. Sorrateira e abelhuda ou vagorosa e tímda. Ela é linda de qualquer forma.

Mas se me permitem citar preferência… Nada melhor do que encontrá-la em lugares inesperados. A surpresa é praticamente um plus aos sorrisos largos e abraços calorosos.

Agradeço por ter presenciado dias assim ultimamente. Agradeço muito!

:-)

10 Julho, 2008 Escrito por robservando | Divagações, Trivial | | 5 Comentários

Pessoas

- Trimmmm, trimmmm…
- Alô!
- Alô, por favor a Maria
- É ela
- Ela quem?
- A Maria
- humm… qual seu nome?
- Maria
- Então não é ela, é você!
- Quê?
- Você joga futebol?
- Não
- Ah então não tem direito mesmo de falar de você em terceira pessoa.
- Do que você está falando.
- Quer ver, vamos começar de novo…
- …
- Fala alô, vai…
- Ai meu Deus…
- Não coloca Deus em conversa de mortal que ele revida.
- Tá bom, alô!
- Alô, por favor a Maria
- É ela
- Nãooooo moça, de novo não… tá errado!!
- tu tu tu tu tu
- Ai ai viu, odeio gente que não sabe quem é!

1 Julho, 2008 Escrito por robservando | faltadoquefazer | | 4 Comentários

Novos Horizontes*

“aquele sentimento que era passageiro não acaba mais”

_ Oi, tudo bem?
_ Oi, tudo bem e você?
_ Tuuuudo certo!

Ela respondia com um sorriso plástico beirando o dissimulado. Já nem prestava atenção no que as pessoas perguntavam, o “tudo bem” era um reflexo, o pouco de educação que lhe restava. Algo muito longe da verdade.

Ela dizia o “tudo bem” com a esperança contida de que um dia falasse novamente as duas palavras não apenas da boca pra fora. A esperança de que amanhã o sol voltasse a brilhar, assim mesmo, tão piegas quanto naquelas citações de agenda que ganhamos de algum comércio.

Não sabia dizer ao certo o porquê não estava tudo bem. Mas também, ninguém se importava. No máximo fingiam.

Afinal desde pequena sabia que aquele “tudo bem” indagado aos quatro cantos nada mais era do que uma regra de convivência social. E só!

“corpos em movimento universo em expansão”

Desde aquele dia –que ela já nem lembrava mais qual era ao certo– tudo tinha mudado. As esperanças de seu coração vão sumindo. O viço de seu rosto vai caindo. Já fazia tempo que nem se quer era surpreendida por um olhar furtivo na rua. Justo ela, que diziam tão bonita.

“Beleza não é nada se você não responde ao “tudo bem” com verdade”, pensava.

Todos seguiam seus rumos, todos evoluíam e ela ali. Parada. Inerte. Sem saber pra que lado ir. Se é que restou algum dos caminhos sem barreiras para enfrentar. Lutar era o que devia. Só não encontrava mais forças pra isso.

Pelo menos não agora.

“não tenho pra onde ir mas não quero ficar”

A correria naquela avenida fria que outrora lhe causava admiração e calma. Agora também a assustava. Todos pareciam ter um rumo certo, destino traçado, vida estável.

E ela? Ali. Ainda inerte.

Tinha vontade de parar um estranho qualquer ali e perguntar o porquê de tudo aquilo. O que acontecia? Só ela se sentia assim? Era invisível por acaso? O curioso é que ela era invisível quando não queria e nas poucas vezes em que queria passar totalmente desapercebida todos pareciam apontar e rir.

Será que estaria ficando louca? Ainda penteava os cabelos rebeldes ao menos. Era a segurança que lhe restava.

Vendedores ambulantes ofereciam tudo à ela. Uma placa em um poste qualquer oferecia consultas de amor. Um mendigo oferecia a mão espalmada em busca de ajuda. O farol aberto oferecia a faixa do lado oposto. Lojas ofereciam felicidade instantânea em forma de consumismo.

Mas na verdade o que ela queria, o que ela precisava realmente, ninguém parecia poder oferecer.

Andou mais um pouco, divagou, limpou as lágrimas do rosto e resolveu fechar tudo ali dentro dela novamente. Ninguém entenderia. Ninguém pode fazer nada.

O triste é que ela sente que nem ela pode.

Entrou no primeiro metrô e tomou o rumo de casa. Afinal…

“o que não tem fim sempre acaba assim”


*Inspirado na música “Novos Horizontes” da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii



(Vídeo que peguei do youtube by “ademo01″. Trecho do finado programa Bem Brasil no Sesc Interlagos em 01)

24 Junho, 2008 Escrito por robservando | Divagações, Fantasia, música | | 4 Comentários

Na cama

É ali, naqueles minutos que sucedem o abrir dos olhos, o recuperar da consciência que divago o máximo possível. Tudo que tem me encomodado vem a tona sem dó nem piedade. Logo que acordo sou bombardeada com um verdadeiro turbilhão de sentimentos, ansiedades e pensamentos infinitos.

É ali onde me permito ser o mais parecida com quem realmente sou. Sou só eu, os lençóis e algumas cobertas que me fazem companhia nesse frio. Não há censura, nem pudor, nem tão pouco vergonha.

Ali sou quem sou. Quem posso ser. Infelizmente não sou quem quero ser. Querer e poder deixaram de ser sinônimos há muito.

Ridiculamente é a hora que sonho com mais profundidade, com mais verdade. O onírico dá lugar para o real. Sonhar com a realidade pode ser belo, mas na maior parte das vezes, não vou mentir, é doloroso. Porque temos a consciência de que tudo é somente um sonho. Se for cruel o bastante posso dizer que são mentiras inventadas pra amenizar o novo dia que aparece.

Começo sempre pensando nas saudades, nas vontades, nos desejos, nas lembranças do que não volta mais. Passo a sonhar acordada pra amenizar tudo que me aflige. Mas sempre acabo sabendo que são só mentiras.

Levantar e enfrentar o que vem pela frente, seja lá o que for, é a única opção que me resta. A que menos quero, mas como disse, a única que posso.

Mas amanhã a cama volta e nela serei novamente eu, sem máscaras, sem rótulos, com desejos e sonhos. Infinitos.

23 Junho, 2008 Escrito por robservando | Divagações | | 3 Comentários

Wannabe

Se eu pudesse escolher qualquer coisa pra ser, eu escolheria ser um músico bem sucedido.

Ao ler bem sucedido, não leia um contrato milionário com uma mega gravadora, nem milhões de cópias vendidas. Leia um músico competente no que faz e que tenha alguns fãs fiéis que o apóiem mesmo quando ele der um piti e resolver tocar viola caipira.

O que eu queria na verdade era poder saber qual a sensação de ter dezenas de pares de mãos apontadas para o céu sob o seu comando e poder ouvir diversas cordas vocais emitindo os sons da música que você fez um dia sem pretensão alguma.

Deve ser a melhor sensação do mundo. Eu acho.

20 Junho, 2008 Escrito por robservando | Divagações | | 4 Comentários

Diga-me o que preferes…

Penso que se há um modo inteligente, sutil e muito eficaz de conhecer alguém é através de suas preferências culturais. Isso mesmo, procure saber os filmes, seriados, livros e músicas favoritas da pessoa em foco.

É questão de sensibilidade e vontade é claro, mas garanto que encontrará muito da pessoa que ela é hoje ao se interessar pelos seus ídolos.

Por esse mesmo ângulo, espero que fique feliz quando alguém quiser dividir com você as suas preferências. Eu pelo menos, quando faço isso é porque confio em você, salvo raríssimas exceções.

Essa teoria pode ser uma versão evoluída e menos maternal do “Diga-me com quem andas que direi quem tu és”. Talvez pudesser ser intulada de “Diga-me onde tu espelhas que saberei quem tu és”.

Não é raro percebermos traços da personalidade da pessoa em algum filme preferido dela, ou vai dizer que você nunca viu um fã de Amelié Poulain falar de suas preferências com uma certa poesia? Claro que viu, eu fiz isso alguns posts atrás oras.

E se a pessoa não ganha alguma coisa do enredo, ela certamente se enxerga ali de alguma forma para ter tanta paixão pela personagem. É questão de familiaridade. Dificilmente você gosta de algo muito oposto a você.

Tive certa vez uma amiga que todos consideravam cultíssima, inteligentíssima e todos outros “íssimas” que casarem com QI elevado. Não menosprezo de maneira alguma seus neurônios, mas depois que passei a ver e ouvir muito do que ela preferia passei a também identificar frases de outros autores em sua boca. E ela nem se quer preocupava-se em identificar a autoria.

E música então? Não é a toa que tanta gente que só ouve Coldplay tem tendência suícida! hahahah Tá bom, talvez eu exagere aqui porque não suporto a tal banda. Mas então, vamos falar do que eu conheço. Alguém já conheceu um fã de engenheiros do hawaii se quer que não tenha uma certa queda pelo Sul do pais?

Sem contar as piadas internas que surgem em determinados grupinhos que têm a mesma preferência. Believe me, você só vai entendê-las se procurar a raiz de tudo aquilo.

Ah sim, devo alertar que se a pessoa tiver a chamada “personalidade esponja” fica bem difícil aplicar a teoria. Mas aí nem precisa né? Você já deve saber que a pessoa é um sem personalidade mesmo, praticamente um parasita! heheh

Me defendo antes do ataque: muita coisa do que gosto me foi apresentada através de outras pessoas, óbvio. Mas pra ser uma esponja você precisa absorver qualquer coisa que lhe for apresentada, sem o mínimo critério.

Ídolo. Musica. Banda. Autor. Livro. Filme. Ator. Atriz. Seriado. Os preferidos. Humberto Gessinger. Piano Bar. Pearl Jam. Marcelo Rubens Paiva. Apanhador no campo de centeio. Quase famosos. Johnny Depp. Meg Ryan. Gilmore Girls.

Diga-me quais são os seus preferidos que direi quem tu és.

 

19 Junho, 2008 Escrito por robservando | Cinema, Divagações, Trivial, literatura, música | | 5 Comentários