Robs observando

O mundo pela minha ótica

“What you get is what you got”

Escutava barulho de pingos batendo na janela, ainda de olhos fechados mas com a consciência retornando aos poucos. Sorri timidamente imaginando que esse é o melhor verão que pude presenciar. Nada de sol, nada de gente com pouca roupa, nada de suor.

Ajeitei meu corpo abrançando o edredom pronta pra ficar mais uns minutinhos na cama quentinha quando um ruído diferente apareceu… era o telefone, mas ninguém atendia.

Venci a preguiça e sussurei um alô bem contra a vontade e ouvi no retorno:
_ Oi filha, falei com um amigo meu sobre seu problema e ele quer te conhecer. Depois do almoço você vai lá comigo! Beijo!

Plim! Em um passe de mágica estava de pé e pensando no que falar para o tal amigo me ajudar. Ah, devo deixar claro que o único problema meu que meu pai tem conhecimento e sai por aí divulgando é a falta de emprego? Não né? Obrigada!

Não, não comemorem ainda por mim porque não sou um número a menos no índice de desemprego populacional. Mas comemorem porque tive uma conversa muito bacana com o tal amigo e ele me propôs ajuda, seja pra trabalhar com ele, seja pra ajudar com que meu currículo fique ainda mais promíscuo.

Sei que não era uma entrevista comum, mas foi a primeira vez que me senti a vontade para falar e falar e falar sem me preocupar com palavras inteligentes, verbos bem colocados e os “esses” em cada plural.

Saí de lá tão desempregada quanto entrei, ao menos por enquanto, mas uma sensação de “trabalho feito” saiu junto comigo. “Não se culpe por não arrumar trabalho”, ele disse. Eu assinei embaixo e isso me fez bem.

Ao chegar em casa ainda sou presenteada com um capuccino com canela by “Robsbucks” e uma trinca bem interessante na TV: “Multishow Music Live com John Mayer”, “Gilmore girls” e “Charmed”.

É, 2008 vai ser legal. Não se levar a sério é algo primordial, eu diria!

Vídeo de uma das músicas mais fofas do John pra terminar… trilha sonora é sempre bom, mas ao contrário da música, não quero mais esperar o mundo mudar não!

29 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Trivial | | 2 Comentários

“Foi assaz aprazível…”

Lembro de uma época não muito distante em que os finais de semana tinham um ar mágico. Denotavam uma espécie de refúgio dos dias cheios de obrigações e coisas a fazer sem vontade. Convivência com pessoas que muitas vezes (na maioria delas) não escolhia e a falta de espaço pra ser eu mesma.

O último sábado e domingo veio com esse gosto novamente. OK, assumo tristemente e envergonhadamente em partes que agora com essa falta de trabalho minha segunda a sexta não tem lá muitas obrigações e nem taaanta diferença assim dos dois dias mágicos. Mas mesmo assim é diferente.

Renovar votos, terapia Starbucks (ainda farei um post sobre ela) e muitos sorrisos. Os mais valiosos depois de algumas lágrimas. Teve lágrimas via msn, e -mail, telefone e pessoalmente, mas o melhor é quando elas secam e a sensação boa de entendimento te abraça por inteiro.

Foram dois dias de conversas que almejava ter, de amizades fortalecidas, de amor transbordando pelos poros, de rever amigos distantes e de enxergar o mundo através de uma ótica de felicidade.

Apesar das dificuldades, me considero hoje uma pessoa de sorte. Tenho ao meu lado as pessoas que escolhi, as que confio, as que me divertem e as que me apoiam. Tenho meu ombrinho, meu porto seguro e aquele olhar no qual ainda me perco mesmo após tanta convivência.

É com essa atmosfera que começo minha segunda-feira. Cheia de lembranças boas e sorriso no rosto e na alma de um fim de semana reconfortante.

E que venha em paz os próximos dias, as próximas dificuldades… Estou aqui e prometo vencer a todas. Pois repito, tenho ao meu lado as pessoas que escolhi!

28 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Divagações | | 2 Comentários

Fragilmente forte

É desespero, é amor ou é necessidade? Dói como um, acarinha como outro e alimenta como o terceiro. Sinto medo dessa coisa que me acomete dia e noite, há anos e sempre pela mesma emoção. Pela mesma alma, corpo e personalidade.

Tão diferente em partes, tão igual em outras.

Tão dificil de ser compreendido e  extremamente fácil de ser julgado. Julgamento feio, de dedo na ferida e cuspe na cara. É gente querendo me ver feliz e me fazendo a pessoa mais triste do mundo, a troco de nada.

Queria que tudo fosse mais fácil e “normal”, como é pra maioria. Queria que não existisse mais que um mundo. Quero uma vida feita de sorrisos e esperança.
Não quero mais lágrimas e medo.

Preciso da sua força pra me fortalecer, da sua coragem pra me encorajar, da tua mão pra me apoiar e da tua compreensão com o que levar tempo. Preciso ver nos teus olhos a minha vontade de que dê certo refletida na sua determinação de nos entedermos. Não balança por favor, porque eu caio.

Se pudesse colocava uma etiqueta de “cuidado, frágil”…

São duas vidas querendo ser um mundo. Precisa-se de dois corpos pra formar um abraço seguro. E de preferência, viver neles.

27 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Emices | | 2 Comentários

“É tão estranho, os bons morrem jovens…”

Ontem a noite me deparei com uma notícia que me deixou perplexa “O ator australiano Heath Ledger foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York”. Suspeita de overdose… novamente essa maldita droga, esse maldito vício.

Mal tinha conectado a Internet, o MSN abriu e a janelinha da Pri pulou me perguntando se sabia do que tinha acontecido com ele… como assim? Parecia uma brincadeira de muito mal gosto, por um tempinho recusei a acreditar que fosse verdade.

Ele era tão novo e tão bom ator. A carreira dele estava só começando e ele tinha me provado seu talento muito antes de ter conquistado a todos com o cowboy de Brokeback Moutain ou a ansiedade dos fãs de Batman por vê-lo como o Coringa.

O australiano de olhos de criança traiçoeira já tinha chamado minha atenção aqui, como o Pat Verona de 10 coisas que odeio em você. 

 E agora ele foi embora… e vai ser estranho ver o novo Batman. É estranho aceitar que o mais recente trabalho dele é infelizmente o último.

23 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Perda | | 3 Comentários

Ferrugem X aquela última que morre

Após alguns dias sem escrever nada por aqui, hoje sento em frente ao computador, encaro o teclado e me obrigo a produzir algumas frases, mesmo que sem muita (ou alguma) qualidade.

Não que eu tivesse a pretensão de atualizar todos os dias com textos novíssimos em folha, mas sei bem que na minha fase atual preciso me forçar a certas coisas ou então o esquecimento e a poeira tomam conta dos projetos, mesmo dos mais bobos ou menores como este blog.

Antes era tudo bem mais fácil, as idéias vinham e o texto também, tão simples como abrir os olhos pela manhã. Agora, confesso que até esse primeiro sinal de vida no novo dia me exige mais.

Ontem mesmo, joguei pensamentos soltos em um bloco de notas com a certeza de que hoje pela manhã conseguiria organizar tudo aquilo em um bonito e bem estruturado texto. Mas que nada… a ferrugem me acomete em diversas coisas que antes eu considerava fazer tão bem.

E claro, isso me preocupa e até me deprime em certo ponto. É ultrajante ver que não tenho mais o mesmo controle e o mesmo desprendimento. Me assusta demais ver que após dois anos e meio sem estudar ou trabalhar em um período maior do que quatro meses seguidos me falte palavras pra expressar meus pensamentos, que o inglês não saia quando tento falar e mesmo pra entender algumas músicas ou filmes esteja bem mais difícil.

A ferrugem sabe como ser cruel. Sabe muito bem como colocar o dedão nojento dela nas suas feridas mais abertas.

Logo eu, que sempre tive minha vida tão esquematizada agora procuro trabalho a torto e a direito e não encontro nada. Algumas respostas aparecem e depois somem como se fosse mágica ou alguma piada de um humor bem negro. E olha que eu nem conto mais com a realização do meu sonho de ser jornalista de verdade, daqueles que vão além do diploma.

Já perdi a conta de quantos cadastros preenchi, de quantos objetivos profissionais informei e de quantas esperas inúteis por resposta passei. Além, é claro, das malditas cartas de apresentação… essas juro que tenho vontade de extrapolar e escrever uma do tipo:

“Olá Sr.(a) responsável pela tal empresa X,Z ou Y!
Tudo certinho por aí?

Escute aqui, eu cansei de pensar zilhões de vezes no que escrever pra impressionar o vosso coraçãozinho e convecê-lo a me dar uma chance de demonstrar que posso ser útil pra sua empresa, cansei de procurar palavras bonitas e formais pra dizer como eu sou, minhas qualificações e  tudo mais; cansei também de me perguntar o que faria uma resposta positiva surgir da sua parte.
Então, dessa vez vai ser do meu jeito.
Simples, claro e objetivo: Eu PRECISO trabalhar tá entendendo??
Óbvio que vou te dizer aqui que sou boa o bastante, responsável e que trabalho bem em grupo. Óbvio que vou deixar bem claro que distância e horário de trabalho não é problema pra mim. Se bobear, te digo até que sou bem humorada às segundas-feiras logo cedo.
Mas se o senhor for uma pessoa boazinha e quiser ir pro céu, faz o favor de ao menos marcar uma entrevista comigo? E mesmo que não vá com a minha cara o que custa tentar ao menos 1 mês com a pessoa que vos escreve figurando o quadro de funcionários da sua estimada empresa??
Pense bem, o senhor estará contribuindo com o bem estar emocional, psicológico e físico (sim, porque horas na frente do PC ou da TV dão uma dor nas costas absurda) de uma menina que está vendo aos poucos todos suas qualidades irem pelo ralo. Quem sabe, no futuro até ganhe uma plaquinha de honra ao mérito por ter salvado alguém??? Seria bacana né?
Responde logo tá? Todos já cansamos dessa brincadeirinha de esperar infinitamente.

Se cuide e até logo!”

É, infelizmente não acredito muito nessa coisa de ser tão excêntrica… mas posso passar a acreditar se até poucos dias após o Carnaval (pois o Brasil só começa a funcionar depois dele né?) ninguém me ligar ao menos marcando uma entrevistinha se quer… ah posso!

“Não pode desanimar”, é o que todos dizem. Podem acreditar que eu tento… e como tento!!!

“O que é seu está guardado”, dizem isso também né? O meu devem ter escondido muito bem!!!!

Empregoooooo! Cadê você????? Já cansei de brincar de esconde-esconde!
Cansei!! Com direito a bico, braço cruzado e cara emburrada em algum canto por aí!

22 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Divagações, Jornalismo, Revolta | | 1 Comentário

Aaaatchim!

Aviso: Este texto está sendo escrito enquanto uma dor de cabeça fenomenal me ataca, além de ser interrompido diversas vezes pelos meus pulos e espirros nada discretos.

Pois bem, dizem que sua mãe é aquela pessoa que deve zelar por você, que sabe de todos seus defeitos e fraquezas, que faz qualquer coisa para possibilitar seu bem estar e todo aquele blá blá blá. Certo?

Acho que a minha precisa rever este conceito. Ela sabe que eu tenho uma maldita rinite alérgica totalmente sensível a qualquer cheiro mais forte, mas ela realmente parece não ligar. Apesar de toda minha reclamação durante os dias de limpeza ela insiste em limpar tudo com os produtos mais abomináveis pelo meu nariz, olhos e garganta: removedor e cândida.

Agora mesmo, eu deveria estar lá no meu banheiro tomando uma bela ducha pra me livrar dessa nhaca produzida pelo calor, ouvindo alguma coisa bem alto (acho que a Lennon ainda está no CD player) e desfrutando da maravilhosa sensação que é a água caindo no meu corpo. Mas não, estou aqui escrevendo, reclamando e martirizando seus olhos com todo esse mau humor repentino.

Tudo isso porque não só meu banheiro, como também meu quarto está envolto em um odor maligno. Só de me aproximar a garganta começa a fechar suavemente, os olhos a lacrimejarem nem um pouco suavemente e os espirros entram em festa. É realmente uma beleza!

Pior: existe removedor sem cheiro mas ela não usa, “não limpa tão bem quanto o outro”.

Síndrome de limpeza é algo preocupante não acham? A casa fica limpa, mas a filha padece!

15 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Revolta | | 2 Comentários

Turbilhão de pensamentos

O maior problema quando começo algum projeto (no caso o blog) é a avalanche de idéias que me assalta. É, sei que isso não deveria ser considerado um problema e sim solução. E você provavelmente está com uma cara meio torta lendo este parágrafo, acertei?

Em certo ponto até concordo que estou errada, afinal seria bem pior se eu não tivesse idéia alguma e empacasse as coisas por causa disso, mas ter muito pode ser bem pior do que ter nada, principalmente porque as idéias me perseguem na hora em que vou dormir.

Ontem mesmo, já passava de meia-noite quando saí da Internet e fui pra cama, estava morrendo de sono mas foi só ajeitar a cabeça no travesseiro pra ser bombardeada por inúmeros assuntos. Alguns deles vão ainda além e já vem com inícios de textos prontos gritando na minha mente, praticamente me puxando pra fora da cama e me obrigando a escrever tudo aquilo antes que tudo se perca.

Óbvio que não faço isso, sei ser teimosa como ninguém e não me deixaria vencer por ideinhas metidas que acham que podem aparecer a hora que quiserem. O triste é que muita coisa se vai assim que adormeço e inacreditavelmente só aparecem na noite seguinte, no mesmo contexto.

Noite passada foi dificil, era o sono brigando com o turbilhão de pensamentos. Talvez fosse inspiração demais,  talvez minha musa inspiradora (vi que elas existem em um episódio do Charmed) tenha hábitos noturnos,  ou talvez o Café Suplicy me deixe agitada ao contrário do Starbucks (americanos tomam chafé, essa deve ser a explicação), ou ainda quem sabe era só algo como um overbooking de complexo jornalístico (já que faz séculos que não escrevo algo que preste por falta de emprego).

 Tá vendo? Um monte de idéias  e assuntos novamente!!

Assim não dá, essa noite durmo com o gravador do lado!

14 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Divagações | | 1 Comentário

Saudades do TCC – pt.3

Prometo que essa é a última das partes do meu TCC por aqui, ao menos por enquanto. Mas é que o carinho e a saudade dessa época é gigante, então peço um desconto e mais essa licença de texto “velho” por aqui.

O capítulo dessa vez é sobre o fã cover, entrevista com o Roberto Seixas na sala de sua casa em algum lugar bem longe perto de Sapobemba ou algo assim.

Vocês imaginam o que é ter um clone do Raul cantando “Tente outra vez” na sua frente? Indescritível! Porque os dois são tão idênticos que parecia até que estava numa sessão espírita, acreditem! heheh

Bom, vamos ao texto… Prometo que o próximo post será algo inédito!

Até lá!

Irmãos espirituais: Raul e Roberto. Os Seixas! 

          Muito se fala hoje sobre pessoas fazerem plásticas, lipoaspirações, enxertos, botox… Todas essas novas tecnologias milagrosas que fazem pessoas comuns “feias” se parecerem com celebridades “bonitas”.

          Já é rotineiro ouvir por aí que fulana fez plástica para ter o nariz da Letícia Spiller, ou que o beltrano colocou silicone no queixo para ficar parecido com o Tom Cruise. Mas, existem aqueles “sortudos” que já nascem parecidos com alguém famoso, e podem ou não ser fãs dessas pessoas.

          Esse é o caso de um tal José Roberto Augusto.

Na década de 70, existia uma dupla da jovem guarda, chamada Deny e Dino, de quem José Roberto era fã incondicional. Inclusive deixou o bigode e o cavanhaque crescerem para se parecer com o Deny. Ao lado de um amigo, o Carlinhos, criaram a dupla Deny e Dino cover. “A gente vivia cantando músicas deles, e a origem do bigode e do cavanhaque é por causa deles. O Dino já morreu, mas o Deny ainda continua na estrada… são meus idolos”,diz.

          Só que na época, ele não imaginava que dedicaria sua vida a homenagear um cantor sendo seu cover oficial. Muito menos que não seria o seu ídolo, Deny. Foi então que em 1972, já casado, em um dia qualquer, resolveu ligar a radiola amarela que tinha na casa de sua mãe e se deparou com o “sucesso do momento em Salvador”, a música “Let me Sing” de Raul Seixas. A primeira impressão não foi muito boa. “O começo da música, a parte rock, eu achei fantástico! Mas quando ela muda completamente e vira um baião, foi um horror. Eu detestei e mudei de estação. Meu primeiro contato com o Raul foi assim, mudando de estação”, brinca Roberto.

          Sete anos depois, ele volta a “ter contato” com Raulzito através do programa “Globo de Ouro”. E dessa vez a impressão foi bem diferente. Roberto já havia ouvido muito sobre Raul e se identificava com toda ideologia que pregava, a “sociedade alternativa”. O curioso é que ele não atribuiu essa admiração como uma relação fã e ídolo, ele aposta em erros do destino de não ter aproximado os dois fisicamente. “Nessa época, eu olhei para o Raul e eu já amava o cara. Sem conhecer uma música, nem nada. Eu me identifiquei com a pessoa. A partir desse dia resolvi que meu nome passaria a ser Roberto Seixas. O Raul foi isso pra mim. Essa aproximação, esse amor… amor mesmo, muito grande. Ele é meu irmão. Não é meu ídolo. Não sou fã dele, ele é meu irmão”, garante.

          Atendendo a um “aviso de forças sobrenaturais” , como ele mesmo diz, resolveu que sua vida a partir daquele momento seria espalhar a ideologia do ídolo, ou irmão como prefere dizer, a todas as pessoas, independente de qualquer dificuldade ou barreira que encontrasse. Talvez, o fanatismo estivesse já tão forte, que Roberto não conseguia enxergar a intensidade de seus atos. Afinal, mudar toda sua vida para praticamente viver a de outra pessoa, só pode ser fruto de muita admiração e amor, como ele afirma.

          Roberto Seixas então, passa a ser cover do cantor e em 1986, decide montar uma banda, a Metamorfose Ambulante. E enquanto Raul fazia seu trabalho, Roberto tinha um paralelo. Apresentava seus shows em diversos bares da cidade de São Paulo e com isso além de atrair fãs do “maluco beleza” original, conquistava os seus próprios.

          Ao contrário da maioria dos fãs, Roberto não se preocupava em ir às apresentações de Raul e também não se interessava por saber de sua carreira enquanto cantor e compositor. O que ele queria era saber da pessoa, de sua vida pessoal e principalmente de sua saúde, que, em meados de 80, já se mostrava muito debilitada. “Eu comecei a acompanhar o Raulzito não nos shows, mas na vida pessoal dele. Como ele estava, se ficava doente ou triste. Eu guardava recorte de jornal: ‘Maluco beleza é internado’. E aquilo me entristecia.”, conta.

          Roberto, porém, garante que nunca sofreu nenhuma espécie de crise de identidade por causa de tanta admiração. Ele tem o verdadeiro Seixas, como seu mestre, alguém que o inspira e é profundamente parecido consigo mesmo. “Temos os mesmos gostos, seguimos as mesmas direções, mas cada um dentro do seu eu. O Raul é o Raul, e o Roberto é o Roberto”, afirma.

          Só existe um pequeno detalhe na vida desses “dois irmãos”. Eles nunca chegaram a se conhecer pessoalmente, embora Raul soubesse e admirasse o trabalho de Roberto. O encontro só não aconteceu porque o fã admite que teve um certo receio em ver o ídolo tão mal de saúde. “Mesmo sabendo de tudo isso, eu não quis ser mais uma pessoa que se parecia, ou que imitava o Raul. Em 1988, ele já estava bem malzinho, e a maioria das pessoas ia lá e falavam as mesmas coisas. Ele estava cansado disso, eu acabei não o conhecendo pessoalmente”,conta.

          O consolo por não ter convivido de perto com seu companheiro tão querido, foi ter tido o privilégio de ser abraçado pela família Seixas logo após o falecimento de Raul. “Era um desejo dele que a família me conhecesse. E quando eu voltei de Salvador, em 1989, vim com uma autorização registrada em cartório, assinada pela mãe de Raul, Dona Maria Eugênia, e passei a ter oficialmente o sobrenome Seixas”,conta.

          Com tanta semelhança, Roberto nem vai a cemitério porque as pessoas se assustam, ou fazem piadas. Já foi confundido várias vezes com o Raul, por pessoas que nem sabiam que ele já havia morrido. Até o pai de Raulzito confundiu o filho com Roberto. “Eu fui ver o pai de Raul em Salvador, quando estava internado no Hospital Espanhol, com esclerose. Ele não me conhecia. Nessa época eu usava óculos caçador iguais aos do Raul. Entrei no quarto em que ele estava deitado e, quando olhou pra mim, eu abaixei e beijei o rosto dele, ele falou: ‘Puxa vida, meu filho, finalmente você veio me visitar’”, lembra Roberto emocionado.

          A relação que Roberto mantém com Raul é muito forte. É como se ele realmente ainda estivesse vivo, e fosse vizinho, parente, ou amigo do José Roberto. “A gente convive espiritualmente pra caramba. De repente, aqui, agora, ele pode se fazer presente”, diz.

          Hoje em dia, Roberto Seixas tem seu próprio repertório, já lançou quatro CD’s, tem conquistado cada vez mais seu espaço e fãs não só pelo ídolo Raul Seixas, mas pelo cantor e intérprete que ele é. “Eu tenho amigos, pessoas que gostam e acompanham o meu trabalho. Eu tento interpretar da melhor maneira possível o trabalho do Raul. Eu canto o que eles querem ouvir, mas eles sabem diferenciar quem é o Roberto e quem é o Raul“, afirma o cover.

          Apesar de viver essa rotina de vida de Raul Seixas, Roberto é muito sensato quando mostra que a realidade da música no Brasil não é tão simples quanto parece. Somente em 1997, tocou-se pela primeira vez na televisão e no rádio alguém que fosse sósia e cover de um artista no Brasil, e ele foi o privilegiado. Teve “Na contramão” música de autoria própria, inclusa no CD “Sucesso das Rádios Volume 2″. Também já participou de diversos programas de TV homenageando Raul, como: “Domingão do Faustão” e “Fantástico”, da Rede Globo e “Domingo Legal” e o extinto “Programa Livre”, do SBT.

          A tietagem nesse caso fica difícil de ser reconhecida, afinal aqui é praticamente impossível separar o ídolo do fã. “Pra resumir esse carinho todo que eu tenho pelo meu irmão Raulzito, por tudo aquilo que me cerca, digo que ele é meu mestre espiritual, meu mestre biológico de tudo. Não o conheci pessoalmente, mas tenho o privilégio de conhecê-lo de uma outra maneira e o prazer imenso de ter me tornado parte da família”, finaliza Roberto Seixas.

 Texto integrante do TCC : “Histórias de tietagem por fãs e ídolos”

14 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Jornalismo | | 1 Comentário

Saudades do TCC – pt.2

É, acho que aqui pode funcionar também como um lugar para se guardar textos queridos.

Somando a isso a saudade da minha época mais feliz de “jornaleira”, mais um textinho do TCC.

Esse é uma crônica de ídolo, do capítulo sobre fã antigo. O famoso? Roberta Miranda! hahaha Sim! Com direito a visita ao duplex mais chique da face da terra, saias justas e descobrir que ela tem uma verdadeira paixão pelo meu nome!!

Aliás, tá aí uma das coisas mais legais do meu TCC, poder me aproximar desses famosos sem que eles me olhem com cara de “ihhh mais uma fã!” e depois de alguns minutos de conversa perceber que eles deixam todas as poses de ídolo de lado e contam coisas inacreditáveis.

Ahhh saudade… é, vamos ao texto! :-)

ROBERTA MIRANDA             

Dezoito anos se passaram desde aquele inesquecível dia! A assinatura do primeiro contrato, a gravação do álbum de estréia e a troca de nome, Maria passava a atender por Roberta. A assinatura não era mais a mesma. Aliás, agora era um autógrafo com nome de Roberta Miranda.            

Ao longo desse tempo, quantos shows, quantas fotos e quantas pessoas passaram pela sua vida! Quantos fãs foram conquistados!            

O motivo disso tudo ela atribui somente à música, identificação com as letras – que quase sempre discorrem sobre amor – e gosto pela melodia. Mas por onde ela passou em cada dia desses 18 anos, o número de admiradores só fez aumentar e ela, ali do palco, reconhece diversos tipos de pessoas, percebe novos rostos e relembra histórias de sua própria vida que já se confundem com a dos fãs.            

Dona Fiica é uma delas. Certa vez, a fã confidenciou à Roberta:            

- Meu filho é um grande fã seu e, por causa dele, passei a gostar de suas músicas. Infelizmente ele não está mais entre nós, mas continua ouvindo você.            

- Como? , questionou a cantora surpresa.            

- Todo dia primeiro e no dia de Finados eu levo o rádio até o túmulo para que ele fique feliz!             

 Em outra ocasião, conheceu Antonieta Miranda, nome artístico de um fã drag queen que até se rendeu ao bisturi de um cirurgião plástico para se assemelhar ao ídolo. Sem falar nos mais de 80 fã-clubes espalhados pelo Brasil, que possuem um acervo variadíssimo da cantora com fotos e matérias que nem ela tem.            

Conforme se recorda dessas histórias, Roberta tem um semblante que varia da felicidade a uma espécie de orgulho, por seu trabalho ter conquistado tantos fãs. Mas não deixa de demonstrar admiração por essas pessoas que se dedicam a acompanhar sua carreira. Ela sabe que cada um dos fãs construiu a artista que ela é atualmente.            

Exagero? Ela não acredita nisso! “Amor nunca é exagerado, e o fã ama a sua música, ama a pessoa que você é, ama aquilo que você passa”, garante.            

Talvez pense assim por causa da maturidade adquirida ao longo de sua carreira. Talvez porque Roberta, ainda Maria, já esteve do outro lado. Fã de Julio Iglesias, escolheu como presente de seu aniversário de 25 anos conhecer o ídolo.  Havia uma coletiva de imprensa com o cantor no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, e foi lá que ela ganhou seu presente.Estudou um modo de se aproximar dele durante toda a entrevista e na primeira distração dos seguranças que cercavam o palco realizou seu desejo.

No dia seguinte, o jornal “Folha de S. Paulo” confirmava o feito com a manchete: “Fã enlouquecida beija o ídolo”.Pois é, naquela época ela ainda era fã… O ídolo viria pouco tempo depois — e essa história se repetiria inúmeras vezes com papéis invertidos.  

Texto integrante do TCC : “Histórias de tietagem por fãs e ídolos”

10 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Jornalismo | | 1 Comentário

Saudades do TCC

Tenho uma mania de jogar várias coisas fora, doar outras e tentar organizar tudo de um jeito diferente no meu quarto nos últimos dias do ano. No fim de 2007, criei coragem de mexer nas várias pastas de arquivo que abrigavam minhas coisas da faculdade.

Lá me deparei com uma em especial, a última e a mais importante pra mim. Aquela que continha cada detalhe do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Pra quem não sabe foi um livro-reportagem sobre tietagem, com histórias de ídolos e fãs sobre esse fenômeno corriqueiro e geralmente desprezado.

O carinho pelo resultado é imenso, principalmente por ser um tema gostoso de lidar e por ser fruto de muito trabalho. É meu verdadeiro xodó. Olho pra capa dele e me dá uma saudade tão grande que chega a doer o peito. Saudade de cada aventura, de cada entrevista, de cada aprendizado, de cada personagem e de cada história.

E já que a saudade está assim tão grande… Por que não publicar aqui alguns trechos dele?

Pra entenderem mais fácil, o livro foi separado em diversos capitulos, cada um continha a crônica de um ídolo e uma história de um fã de um tipo específico.

Pra começar, um dos textos que mais gostei de ter feito… o tipo? A groupie!

Fascínio pelos palcos. Desejo pelos músicos!

Desde cedo ela planeja cuidadosamente sua produção para mais essa noite. Busca na mente a roupa que considera mais adequada, sem deixar de levar em conta a que mais valorize seus atributos físicos.

Impressionar e se fazer notar entre as demais é seu principal objetivo!

O horário marcado se aproxima e ela começa a colocar em prática tudo que planejou. Pinta as unhas, cuida do cabelo, toma um banho demorado e enquanto se seca imagina todas as possibilidades que o logo mais lhe reserva.

Olha para o convite sobre a penteadeira e admira a foto dele encaixada na moldura do espelho. O mesmo espelho que a reflete dançando a música responsável por essa louca paixão.

Veste a roupa escolhida: mini-saia jeans, uma frente única preta que deixa todas suas tatuagens à mostra e para completar, um par de scarpans salto 12. Retoca a maquiagem carregada, pega sua bolsa, os inseparáveis cigarros e sai cantarolando com o ingresso na mão.

Seu destino é mais um show. O  alvo:  o músico, mais um de seus objetos de desejo!

 

Luciana Soares já protagonizou cenas como essa, inúmeras vezes. Groupie assumida, a fotógrafa de Taubaté não se contenta apenas com um autógrafo do ídolo. Seu prazer só é saciado mais longe!

 

Fã de uma enorme variedade de bandas de rock, já teve alguns de seus ídolos tão próximos e íntimos quanto possível. Além de data de aniversário, cor preferida e possíveis influências, ela também sabe como eles beijam, tocam e amam!

 

Lemonheads, Forgotten Boys, CPM 22 e Supla são algumas das personalidades mais conhecidas. Porém, se formos para a cena underground do rock paulista, a lista ainda conta com Mukeka di Rato, Aditive, Street Bulldogs, Food for Life e até mesmo os antigos Vagabundos!!

 

Ao contrário das groupies que conhecemos do cinema e de algumas histórias – Pamela Des Barres, a primeira e mais famosa groupie a assumir publicamente seus romances com os músicos em seu livro “Confissões de uma Groupie”, viajava com as bandas durante a turnê e fazia marcação cerrada para a atingir o famoso do momento – Luciana tem uma tática sutil. “Nunca fui atrás de ninguém, eu sempre ficava no fim dos shows conversando com os amigos e eles chegavam em mim”, conta. Mas isso não pode ser considerado um acaso, afinal há uma grande preocupação com seu visual e modo de agir nessas noites de show.

 

A primeira vez como groupie foi aos 15 anos, com um músico que definitivamente não era seu ídolo e tampouco atraente, ao menos para a grande maioria das mulheres. “Lembro disso e me pergunto como tive coragem, mas foi curtição e se é assim então valeu né? O que importa é o momento, sempre!”, lembra Luciana.

 

Conforme foi ganhando mais experiência e aprendendo como se fazer notar, os arrependimentos pararam, pois sempre atingia o alvo certeiro. Enquanto fala os nomes dos músicos como em uma espécie de “currículo groupiano”, sorri escandalosamente exibindo seus troféus. “É muito bom pensar que consegui ficar com aquele cara que todas minhas amigas morriam de vontade”, vangloria-se.

         

A vaidade é recorrente na vida das groupies. Afinal, quem ousaria negar que metade da graça em ficar com um famoso está em poder espalhar a notícia para todos seus conhecidos? E até mesmo aos desconhecidos.

         

O fascínio que o palco causa nesse tipo de fã é tremendo! Muitos da lista de Luciana passariam totalmente despercebidos no meio da rua. “É impossível negar que o tesão rola em ver o cara no palco tocando alguma coisa com tanta vontade, cantando a música que você gosta”, confidencia nossa groupie.

         

É mais uma vez o mito do ídolo, da fama talvez. A vontade delas é fazer o até então intocável ser totalmente palpável e ao alcance de suas mãos. Só que em algumas vezes, com tamanha proximidade, essa mágica sofre vários riscos e até acaba completamente.

         

“Quando fiquei com o Evan Dando (vocalista da banda americana Lemonheads) foi assim, era muito fã dele, mas vê-lo totalmente chapado falando tanta asneira me brochou”, conta Luciana. Ídolo humano, com defeitos e falhas? Inaceitável, melhor partir para outro!

         

Pecado aqui não falta. Vaidade, luxúria e agora também a inveja. Entre elas, de groupie para aspirante a groupie e, claro, da namorada “oficial” do músico.

         

É da natureza feminina comparar, disputar e analisar cuidadosamente as demais concorrentes até achar aquele minúsculo defeito que salta aos olhos. Imagine, então, quando a disputa é pelo famoso, o tão sonhado ídolo. “Fiquei com um cara há mais de três anos em Taubaté e as meninas eram tão apaixonadas por ele que me odeiam até hoje!”, conta.

         

Já preconceito ela afirma nunca ter sofrido, talvez porque suas amigas compartilhem da mesma preferência por músicos e até mesmo sua mãe encara tudo isso como uma diversão típica de adolescente. Sem contar que a grande maioria das meninas da sua idade faz o mesmo, só que talvez não apareçam tanto porque os seus casos não estejam sob a luz da fama. “Posso até ser considerada uma puta de luxo, mas pelo menos eu seleciono meus amantes: só os músicos me atraem tanto”, declara Luciana.

         

Vale a pena ressaltar, entretanto, que esse tipo de fã talvez seja a mais querida pelos músicos (afinal é para deleite dos mesmos). E é claro que eles aproveitam das condições da fama para conquistar a menina que mais chamou a atenção na primeira fila. “Eles ficam se vangloriando o tempo inteiro. Parece que querem que você pense o tempo todo na banda e não neles, como se fosse uma espécie de garantia”, conta nossa groupie.

         

Hoje ela se considera “aposentada”. Namorando há oito meses, diz que quando pensa no seu passado vê muita vaidade de adolescente querendo ser saciada. Assim como Pamela Des Barres foi um amor de um aspirante a músico que a fez “sossegar”.

         

Porém, se existisse um novo Kurt Cobain (líder do Nirvana morto em 1994 e ídolo máximo de Luciana) talvez a opção fosse repensada. “É um não momentâneo, ninguém sabe se alguém vai me atrair, mas por enquanto estou bem com meu bofe”, conclui Luciana.

         

Vocação de groupie pelo jeito, é eterna!

 

Texto integrante do TCC : “Histórias de tietagem por fãs e ídolos”

9 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Jornalismo | | 1 Comentário