Turbilhão de pensamentos
O maior problema quando começo algum projeto (no caso o blog) é a avalanche de idéias que me assalta. É, sei que isso não deveria ser considerado um problema e sim solução. E você provavelmente está com uma cara meio torta lendo este parágrafo, acertei?
Em certo ponto até concordo que estou errada, afinal seria bem pior se eu não tivesse idéia alguma e empacasse as coisas por causa disso, mas ter muito pode ser bem pior do que ter nada, principalmente porque as idéias me perseguem na hora em que vou dormir.
Ontem mesmo, já passava de meia-noite quando saí da Internet e fui pra cama, estava morrendo de sono mas foi só ajeitar a cabeça no travesseiro pra ser bombardeada por inúmeros assuntos. Alguns deles vão ainda além e já vem com inícios de textos prontos gritando na minha mente, praticamente me puxando pra fora da cama e me obrigando a escrever tudo aquilo antes que tudo se perca.
Óbvio que não faço isso, sei ser teimosa como ninguém e não me deixaria vencer por ideinhas metidas que acham que podem aparecer a hora que quiserem. O triste é que muita coisa se vai assim que adormeço e inacreditavelmente só aparecem na noite seguinte, no mesmo contexto.
Noite passada foi dificil, era o sono brigando com o turbilhão de pensamentos. Talvez fosse inspiração demais, talvez minha musa inspiradora (vi que elas existem em um episódio do Charmed) tenha hábitos noturnos, ou talvez o Café Suplicy me deixe agitada ao contrário do Starbucks (americanos tomam chafé, essa deve ser a explicação), ou ainda quem sabe era só algo como um overbooking de complexo jornalístico (já que faz séculos que não escrevo algo que preste por falta de emprego).
Tá vendo? Um monte de idéias e assuntos novamente!!
Assim não dá, essa noite durmo com o gravador do lado!
Saudades do TCC – pt.3
Prometo que essa é a última das partes do meu TCC por aqui, ao menos por enquanto. Mas é que o carinho e a saudade dessa época é gigante, então peço um desconto e mais essa licença de texto “velho” por aqui.
O capítulo dessa vez é sobre o fã cover, entrevista com o Roberto Seixas na sala de sua casa em algum lugar bem longe perto de Sapobemba ou algo assim.
Vocês imaginam o que é ter um clone do Raul cantando “Tente outra vez” na sua frente? Indescritível! Porque os dois são tão idênticos que parecia até que estava numa sessão espírita, acreditem! heheh
Bom, vamos ao texto… Prometo que o próximo post será algo inédito!
Até lá!
Irmãos espirituais: Raul e Roberto. Os Seixas!
Muito se fala hoje sobre pessoas fazerem plásticas, lipoaspirações, enxertos, botox… Todas essas novas tecnologias milagrosas que fazem pessoas comuns “feias” se parecerem com celebridades “bonitas”.
Já é rotineiro ouvir por aí que fulana fez plástica para ter o nariz da Letícia Spiller, ou que o beltrano colocou silicone no queixo para ficar parecido com o Tom Cruise. Mas, existem aqueles “sortudos” que já nascem parecidos com alguém famoso, e podem ou não ser fãs dessas pessoas.
Esse é o caso de um tal José Roberto Augusto.
Na década de 70, existia uma dupla da jovem guarda, chamada Deny e Dino, de quem José Roberto era fã incondicional. Inclusive deixou o bigode e o cavanhaque crescerem para se parecer com o Deny. Ao lado de um amigo, o Carlinhos, criaram a dupla Deny e Dino cover. “A gente vivia cantando músicas deles, e a origem do bigode e do cavanhaque é por causa deles. O Dino já morreu, mas o Deny ainda continua na estrada… são meus idolos”,diz.
Só que na época, ele não imaginava que dedicaria sua vida a homenagear um cantor sendo seu cover oficial. Muito menos que não seria o seu ídolo, Deny. Foi então que em 1972, já casado, em um dia qualquer, resolveu ligar a radiola amarela que tinha na casa de sua mãe e se deparou com o “sucesso do momento em Salvador”, a música “Let me Sing” de Raul Seixas. A primeira impressão não foi muito boa. “O começo da música, a parte rock, eu achei fantástico! Mas quando ela muda completamente e vira um baião, foi um horror. Eu detestei e mudei de estação. Meu primeiro contato com o Raul foi assim, mudando de estação”, brinca Roberto.
Sete anos depois, ele volta a “ter contato” com Raulzito através do programa “Globo de Ouro”. E dessa vez a impressão foi bem diferente. Roberto já havia ouvido muito sobre Raul e se identificava com toda ideologia que pregava, a “sociedade alternativa”. O curioso é que ele não atribuiu essa admiração como uma relação fã e ídolo, ele aposta em erros do destino de não ter aproximado os dois fisicamente. “Nessa época, eu olhei para o Raul e eu já amava o cara. Sem conhecer uma música, nem nada. Eu me identifiquei com a pessoa. A partir desse dia resolvi que meu nome passaria a ser Roberto Seixas. O Raul foi isso pra mim. Essa aproximação, esse amor… amor mesmo, muito grande. Ele é meu irmão. Não é meu ídolo. Não sou fã dele, ele é meu irmão”, garante.
Atendendo a um “aviso de forças sobrenaturais” , como ele mesmo diz, resolveu que sua vida a partir daquele momento seria espalhar a ideologia do ídolo, ou irmão como prefere dizer, a todas as pessoas, independente de qualquer dificuldade ou barreira que encontrasse. Talvez, o fanatismo estivesse já tão forte, que Roberto não conseguia enxergar a intensidade de seus atos. Afinal, mudar toda sua vida para praticamente viver a de outra pessoa, só pode ser fruto de muita admiração e amor, como ele afirma.
Roberto Seixas então, passa a ser cover do cantor e em 1986, decide montar uma banda, a Metamorfose Ambulante. E enquanto Raul fazia seu trabalho, Roberto tinha um paralelo. Apresentava seus shows em diversos bares da cidade de São Paulo e com isso além de atrair fãs do “maluco beleza” original, conquistava os seus próprios.
Ao contrário da maioria dos fãs, Roberto não se preocupava em ir às apresentações de Raul e também não se interessava por saber de sua carreira enquanto cantor e compositor. O que ele queria era saber da pessoa, de sua vida pessoal e principalmente de sua saúde, que, em meados de 80, já se mostrava muito debilitada. “Eu comecei a acompanhar o Raulzito não nos shows, mas na vida pessoal dele. Como ele estava, se ficava doente ou triste. Eu guardava recorte de jornal: ‘Maluco beleza é internado’. E aquilo me entristecia.”, conta.
Roberto, porém, garante que nunca sofreu nenhuma espécie de crise de identidade por causa de tanta admiração. Ele tem o verdadeiro Seixas, como seu mestre, alguém que o inspira e é profundamente parecido consigo mesmo. “Temos os mesmos gostos, seguimos as mesmas direções, mas cada um dentro do seu eu. O Raul é o Raul, e o Roberto é o Roberto”, afirma.
Só existe um pequeno detalhe na vida desses “dois irmãos”. Eles nunca chegaram a se conhecer pessoalmente, embora Raul soubesse e admirasse o trabalho de Roberto. O encontro só não aconteceu porque o fã admite que teve um certo receio em ver o ídolo tão mal de saúde. “Mesmo sabendo de tudo isso, eu não quis ser mais uma pessoa que se parecia, ou que imitava o Raul. Em 1988, ele já estava bem malzinho, e a maioria das pessoas ia lá e falavam as mesmas coisas. Ele estava cansado disso, eu acabei não o conhecendo pessoalmente”,conta.
O consolo por não ter convivido de perto com seu companheiro tão querido, foi ter tido o privilégio de ser abraçado pela família Seixas logo após o falecimento de Raul. “Era um desejo dele que a família me conhecesse. E quando eu voltei de Salvador, em 1989, vim com uma autorização registrada em cartório, assinada pela mãe de Raul, Dona Maria Eugênia, e passei a ter oficialmente o sobrenome Seixas”,conta.
Com tanta semelhança, Roberto nem vai a cemitério porque as pessoas se assustam, ou fazem piadas. Já foi confundido várias vezes com o Raul, por pessoas que nem sabiam que ele já havia morrido. Até o pai de Raulzito confundiu o filho com Roberto. “Eu fui ver o pai de Raul em Salvador, quando estava internado no Hospital Espanhol, com esclerose. Ele não me conhecia. Nessa época eu usava óculos caçador iguais aos do Raul. Entrei no quarto em que ele estava deitado e, quando olhou pra mim, eu abaixei e beijei o rosto dele, ele falou: ‘Puxa vida, meu filho, finalmente você veio me visitar’”, lembra Roberto emocionado.
A relação que Roberto mantém com Raul é muito forte. É como se ele realmente ainda estivesse vivo, e fosse vizinho, parente, ou amigo do José Roberto. “A gente convive espiritualmente pra caramba. De repente, aqui, agora, ele pode se fazer presente”, diz.
Hoje em dia, Roberto Seixas tem seu próprio repertório, já lançou quatro CD’s, tem conquistado cada vez mais seu espaço e fãs não só pelo ídolo Raul Seixas, mas pelo cantor e intérprete que ele é. “Eu tenho amigos, pessoas que gostam e acompanham o meu trabalho. Eu tento interpretar da melhor maneira possível o trabalho do Raul. Eu canto o que eles querem ouvir, mas eles sabem diferenciar quem é o Roberto e quem é o Raul“, afirma o cover.
Apesar de viver essa rotina de vida de Raul Seixas, Roberto é muito sensato quando mostra que a realidade da música no Brasil não é tão simples quanto parece. Somente em 1997, tocou-se pela primeira vez na televisão e no rádio alguém que fosse sósia e cover de um artista no Brasil, e ele foi o privilegiado. Teve “Na contramão” música de autoria própria, inclusa no CD “Sucesso das Rádios Volume 2″. Também já participou de diversos programas de TV homenageando Raul, como: “Domingão do Faustão” e “Fantástico”, da Rede Globo e “Domingo Legal” e o extinto “Programa Livre”, do SBT.
A tietagem nesse caso fica difícil de ser reconhecida, afinal aqui é praticamente impossível separar o ídolo do fã. “Pra resumir esse carinho todo que eu tenho pelo meu irmão Raulzito, por tudo aquilo que me cerca, digo que ele é meu mestre espiritual, meu mestre biológico de tudo. Não o conheci pessoalmente, mas tenho o privilégio de conhecê-lo de uma outra maneira e o prazer imenso de ter me tornado parte da família”, finaliza Roberto Seixas.
Texto integrante do TCC : “Histórias de tietagem por fãs e ídolos”


