Contadores de histórias
Há poucos dias arrumei minha estante de livros. Já fazia algum tempo que os títulos me olhavam com ar de piedade cada vez que cruzavam meu olhar. Era uma visão parecida com a de um metrô da linha vermelha por volta das 18h. Chegava até ser falta de respeito deixá-los daquele modo tão esmagados e sem nexo algum.
Tinha Luis Fernando Veríssimo brigando com o Érico Veríssimo apesar de dividirem a mesma pátria. Fernando Pessoa procurava seus heterônimos e mal os encontrava lá do outro lado das prateleiras perdidos entre Álvares de Azevedo e Drummond. Um olhar mais apurado até veria o Marcelo Rubens Paiva tentando cantar Martha Medeiros, Maria Mariana e até mesmo a senhora Rachel de Queiroz; ele é incorrigível.
Na parte de cima era um verdadeiro escarcéu com tantas crianças e adolescentes. Lá estavam todos os responsáveis por despertar meu gosto pela leitura. Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Charles Dickens e o meu idolatrado Pedro Bandeira. Além é claro, dos zilhões de personagens que saíram pulando do Tesouro Disney.
No meio campo eram todos da imprensa. Todos tão caidinhos, se segurando uns aos outros. O Chatô olha pro Caco Barcellos e implora pra que esse caso Isabella seja logo resolvido. Ouvi dizer por ali que nem o Joel Almeida aguenta mais e olha que ele cubria todos os escândalos da alta sociedade algumas décadas atrás. O Dr. Drauzio então, ainda está indignado.
Embaixo deles um pessoal mais desencanado não dava a mínima pra bagunça, eles estão acostumados a barulho. A famosa tríade com um pouco de sexo, algumas drogas e muito rock n’roll. De Beatles a Kurt Cobain e Raul Seixas. Ali tem lugar pra todo mundo. Eles andam sonhando com rumores de que um tal “1001 discos para ouvir antes de morrer” está a caminho.
Um pouco ao lado que ficava a visão mais triste. Gente de tanto renome enlatados como sardinhas. José Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Machado de Assis, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles… todos travavam verdadeiras batalhas pra serem ouvidos diante de tanto furdúncio. Pena ter tanto barulho, devia ter muita coisa boa pra se ouvir vindo de um grupo desta estirpe.
O mais curioso era o TCC de uma tal Roberta Lopes todo metido no meio das figuras sentindo-se todo importante. Assim misturado a todos ele até parecia da mesma espécie. Confesso que achava uma cena bem bonita de se ver.
Mas mesmo assim, resolvi botar uma ordem na casa. Agora eles estão lá todos bonitinhos na ordem que eu invento. Não é alfabética nem por assunto ou gênero. É uma coisa só entre eu e eles e pra nós garanto que faz todo sentido.
Foi até emocionante vê-los todos cochichando e saudando a chegada dos novos companheiros: o Almanaque dos Anos 80 e o da TV foram direto para a área dos não lidos. Estão ali só esperando a promoção. Quais serão seus vizinhos? Que histórias poderão contar?
Confesso que não sei. Os livros escrevem suas próprias histórias. Eu só os obedeço.
MM
Estava no 1º ano do colegial. 1998 acho eu. Tinha uma daquelas agendas que namorava há tempos, “Livro da Tribo” ela chamava, era cheia de páginas coloridas e poesias ou trechos de obras de autores renomados e também de novas descobertas da literatura nacional. Entre eles, lá estava ela. Martha Medeiros.
Era a primeira vez que tive notícias dela e no ano seguinte quando também tive um “Livro da Tribo” fui direto em busca de mais palavras da moça.
Em outra ocasião assistia ao programa Sem Censura por causa do Humberto Gessinger. Era um especial só com talentos dos Pampas e não é que lá estava ela? Na ocasião soube mais da vida dela, e constatei que ela ainda era simpática. E tem o tal sotaque que tanto amo. Mais pontos invariavelmente.
Pouco tempo depois, compro o “Pequeno Universo”, o mais novo disco do Nenhum de Nós na época. E não é que ela está lá?? A bendita escreveu a letra mais bonita do álbum, “Feedback”. Thedy ainda deixa claro que queria uma visão femininha de um romance, ninguém faria melhor realmente.
Na mesma semana resolvo ir a um sebo em busca de nada em específico. Apenas queria alguma leitura que me entretesse e me ensinasse alguma coisa. Na prateleira de novidades, uma capa rosa novinha em folha me chama a atenção. Sim, novamente ela. Voltei pra casa com o “Divã” na bolsa e uma promessa.
O estranho é que nunca fui atrás dela, invariavelmente ela acabava aparecendo nas coisas que eu gostava. Parecia coincidência demais. Foi então que resolvi ceder e prometer ir atrás dos escritos de Martha Medeiros. Hoje já tenho material o suficiente pra me declarar fã convicta da gaúcha.
Já li “Divã”, “Selma e Sinatra”, “Non Stop” e acabei há poucos minutos “Tudo o que eu queria te dizer”. Todos geniais. Simples, histórias rotineiras, personagens fortes e reais ao extremo. Ela faz as coisas do nosso cotidiano virarem poesia com suas palavras.
Se você aí gosta de ler coisa boa, anote este nome: Martha Medeiros. Recomendadíssimo!!
Presta atenção na letra desta música e me diz se não dá vontade de ler mais coisas da moça?? Aliás o clipe também é lindo, mas isso é assunto pra depois…
Feedback – Nenhum de Nós
O número 23
Já passou um bom tempo. Já passamos por muitas coisas, boas e más. Já conhecemos muitas outras. Já mudamos muito. Já crescemos, amadurecemos e tomamos vergonha na cara. Já dividimos muitas experiências. Já vimos conceitos cairem por terra e já aprendemos a ver a vida com outros olhos.
Já me vi nos olhos dele como nunca me vi em qualquer outro lugar. Já me senti alguém melhor por querer impressioná-lo. Já me fortaleci apenas por ter ele ali ao meu lado pronto pra me encorajar e me amparar se fosse necessário.
Já rimos e choramos muito juntos. Já descobrimos o sentido de ter alguém ao seu lado e a importância de ter espaços individuais.
Já enfrentamos muita coisa e muitas pessoas e acho que nosso destino sempre vai ser esse. Mas também já aceitamos que isso só nos fortalece. Já prometemos que nada vai ser maior.
Já senti o maior amor do mundo. O melhor beijo, o melhor carinho, o melhor abraço e o ombrinho mais aconchegante.
Já se foram alguns anos e tantos meses e aqui dentro o sentimento só cresce. Se não for amor, o que mais pode ser?
Já fazem 5 anos e 5 meses que o dia 23 se tornou tão especial.
Uma palavra: Astronauta
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Os dois últimos dias parecem ter sido feitos sob medida pra acabar com toda minha saudade e carência. As palavras certas ele disse, os carinhos certos ele fez. O ombro dele estava especialmente moldado para minha cabeça e os abraços se encontravam na forma perfeita.
Pena que no último beijo ali na catraca do metrô, a saudade e a carência já voltem a serem
alimentadas.
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Não gosto de ver as pessoas que amo deprêzinhas. Muito menos a que nunca costuma ficar assim. Assusta sabe?
Não sei definitivamente lidar com essa situação.
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Não acho necessário ficar explicando título dos posts daqui, mas esse é bom registrar porque se não até eu corro o risco de me perguntar de onde ele veio daqui a algum tempo.
Faz parte da cena mais engraçada do filme “Não Estou Lá”, que finalmente consegui ver hoje.
Gostei bastante, apesar de achar um pouco confuso. Mas isso posso atribuir ao fato de ter ouvido mais Bob Dylan durante o filme do que durante toda a minha vida hehehe
Ah sim, e o melhor Bob é a Cate Blanchet. E o Heath Ledger não pode ter morrido, não pode!
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Um desabafo: eu realmente queria que meus cílios fossem menores. É algo irritante demais ter que lidar com as briguinhas dos “de cima” com os “de baixo”. Eles se engalfinham e eu que fico com o olho irritado.
Não há curvex que dê jeito! Poxa!
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A caixa oca
Oca. Completamente oca.
Pra que serve essa caixa se ela parecer assim tão oca? Tenho certeza que se tivesse algum organismo vivo dentro dela faria até eco ao menor dos movimentos.
Oca. É assim que ela parece, apesar de tão pesada.
As idéias fizeram as malas e se mudaram na última noite, tenho certeza. Os pensamentos ainda não acordaram apesar de passar das 11h, eles são piores do que eu quando o assunto é dormir. E os neurônios se é que ainda aqui habitam devem ter brigado feio há pouco; simplesmente se recusam a fazer as imorais ligações nervosas.
Pode ser alguma espécie de ressaca moral que tenha a deixado tão oca também. Mas não vejo motivo. Cansaço, esgotamento mental faz mais sentido. A preguiça de pensar já foi descartada.
Tá tudo mecânico nesta manhã. Só escovei os dentes e lavei o rosto e fiz xixi porque são sempre as primeiras coisas que faço. Só pensei nele porque se isso não acontecesse não estaria oca e sim morta. Só comi um pãozinho e tomei toddynho porque minha mãe disse que estava ali guardado pra mim. E vir pro computador foi puro impulso.
Boicote próprio… só comigo viu. Ela tá oca, tenho certeza disso.
Além do frio na barriga
Ele chega do nada com aquela cara feia dele e sempre me assusta. Embora às vezes eu consiga me controlar e não demonstrar o pavor que ele me causa. Chega até a ser irônico “ele” causar isso.
Quando ele aparece com razão eu até acho normal, me mostra que estou viva e que reajo naturalmente aos acontecimentos. O que me irrita é quando ele aparece diante de situações que já deveriam ter se tornado corriqueiras. Nessas, no máximo deveria aparecer o irmãozinho menor dele.
A única coisa boa que ele me traz é uma vontade de enfrentá-lo. Pena que em grande parte das vezes eu fique só na vontade. E aí a frustração aparece ainda mais apavorante do que ele próprio.
O curioso é que ele sempre esteve presente, principalmente nos acontecimentos mais importantes da minha vida. Nessas ocasiões, aliás, diria que a presença dele é totalmente imprescindível. Sem ele seria estranho, sem graça até.
Ah esse medo de sei lá o que com síndrome de sei menos ainda me irrita!
Indispensável
Inspirada na teoria do filtro solar e ao mesmo tempo tentando fugir da previsibilidade e da cafonice dos livros de auto ajuda que na verdade nada ajudam, venho aqui lhes oferecer um “produto” de primeira necessidade: o bom senso.
Ele é mais esperto do que o senso comum, mais fiel do que qualquer senso populacional e está aí mesmo em você, livremente ao seu alcance. Basta querer usá-lo. E acredite, se você o usar ao máximo os benefícios vão além de uma pele sedosa, um cabelo digno de comercial de shampoo e um bum bum livre de celulite.
Você terá menos motivos pra se depreciar, pra ser depressivo e também pra achar que “aquele” cara ou garota nunca te darão bola. Aliás, você ficará tão radiante e seguro de si que provavelmente nem pensará muito nessas coisas. Você passa do estágio de sonhar para o de viver.
E o melhor: você nunca chegará ao estágio de se achar a última bolacha do pacote e competir
atenção a torto e a direito.
E o melhor ainda: o produto nunca acaba. Quanto mais você usa, mais você produz grandes unidades de bom senso. Estocadas até. Prontas para serem usadas, a qualquer hora e situação.
Seu melhor amigo precisa de você? Bom senso. Entrevista de emprego? Bom senso. Sua mãe tá te irritando a horas pedindo ajuda em alguma coisa? Bom senso. Matar aula da faculdade? Bom senso nele.
Ah e claro, o único cuidado que deve ter ao ser usuário do bom senso é de ajustar a dose para dupla quando a pessoa que cruzar o seu caminho simplesmente não conhecer o bom senso e for usuária de um simples senso comum.
Humano
Humano. É a palavra que não me sai da cabeça depois da tarde de hoje.
O filme (“My Blueberry Nights” ou o péssimo português “Um Beijo Roubado) voltou a me proporcionar boas surpresas no cinema. Havia expectativa, desde o trailler, desde a descoberta da Cat Power no elenco, desde a protagonista ser a Norah Jones. Hoje, no entanto, ela foi superada… e ahhh… como é bom quando isso acontece.
A narrativa é lenta e funciona como um convite pra que você pense na sua vida em fatos relacionados ao que são apresentados. A fotografia é linda e te incentiva a registrar cada momento – mesmo os aparentemente sem importância – da sua vida pra depois apresentá-los aos outros em forma de poesias. O elenco tem pessoas normais daquelas que você pode encontrar na esquina, nada de muita maquiagem, figurinos teatrais… imagina, a “mocinha” até suja a boca quando come!! E é isso que faz toda a trama acontecer.
Humano. O melhor jeito de descrevê-lo. Humano e muito belo, como a sua vida pode ser desde
que você permita.
Além do filme… amizade, carinho, afeto. Eu me importo, eles sabem disso. É recíproco. Amizade como não tenho notícias há tempos. Pessoas que cruzaram meu caminho e que não deixo sair dele de modo algum.
É bom saber que estão lá, que posso ajudar, que não há cobranças nem competições. Amizade, pura e verdadeira. Carinho fraterno. Amor desmedido e torcida eterna para o que preciso for. Repito: da primeira fileira com direito a pom pons.
Humano… sabe como é? Felizmente eu sei!
Ahh a modernidade
Desde que o computador e a Internet passaram a fazer parte da minha vida muita coisa ficou mais simples, mas o fato é que eu também pareço ter me tornado uma filha ingrata.
Meus pais já estão na casa dos sessenta e nenhum deles tem lá muita afinidade com essas
“tecnologias”. Talvez fosse mais sensato dizer afinidade alguma mesmo.
Minha mãe ainda é um pouco mais “espertinha” e consegue ler as notícias, mas tenho lá minhas suspeitas de que ela nunca saiu da página do UOL, a página inicial do navegador daqui. E a briga dela com o mouse foi facilmente resolvida depois de algumas horinhas jogando Paciência. O único problema é que lhe rendeu um sério vício ao joguinho.
Agora meu pai… Ah esse rende boas histórias.
Pra começo de conversa ele tem aqueles dois famosos óculos: o “de perto” e o “de longe”, como são chamados. Então o tempo que ele demora pra ler alguma coisa já faz com que minha pouca paciência se esgote.
Aí depois tem aquelas coisas de “entra no e-mail dessa pessoa e ve o que tem de interessante lá porque ela mandou eu ver”. Aí explico que é pra entrar no site da tal pessoa, porque pra entrar no e-mail só se ele tivesse a senha e fosse muito intrometido pra querer saber o que ela guarda de interessante lá.
Ok, estamos no site, deixo ele sentadinho aqui na frente e vou fazer alguma coisa.
Quando volto e olho pra tela quase tenho uma síncope. Tem mil janelas abertas de pop-up e ele já está procurando o cartão de crédito pra informar os números que pediram ali naquele anúncio em que prometem resolver toda a vida dele. Ah e claro ele ía clicar também em uma outra janelinha piscante que dizia limpar todo o computador de possíveis vírus.
Sem contar quando ele vira pra mim e pede que eu copie algum documento pra ele. Agora eu já sei, mas até descobrir que o que ele queria era o texto impresso…
Eu tento, juro que tento…
O triste mesmo é quando os dois se inspiram no Chaves e começam a bradar o lamento “ninguém tem paciência comigo”. Ninguém leia-se euzinha aqui.
Mas poxa, enquanto eles acharem que o e-mail deles começa com www realmente vai ser difícil.
Sunday… HAPPY Sunday
Só pra dizer que realmente meu domingo valeu a pena… dentre outras coisas só por esse linkzinho…
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u391695.shtml
Minha 1ª matéria assinada na Folha Online.
Pode parecer bobeira mas pra mim não é, estou radiante ao extremo. Esse mês de plantão aos finais de semana em Cotidiano anda valendo muito mais do que os quatro anos de faculdade.


