Verbo ser – Futuro do indicativo?!?
Acordou por volta das 9h, mal recuperou a consciência e já se pegou pensando: “Será que é hoje que minha vida muda? Será que consigo ganhar uma rotina dessa vez?”
Não que quisesse necessariamente uma rotina, ela era estranha mas nem tanto. O que queria era a possibilidade e o prazer absurdo que se sente ao quebrar uma rotina.
Correu pensando na roupa, calculando horário, arrumando algo para comer. Correu tanto que tudo parecia correr junto, inclusive os ponteiros do relógio.
Quando chegou lá, tudo correu mais ainda. Mal se deu conta e já voltava.
Na sua cabeça só o “eu te ligo”. Os dois sabiam que ela não receberia a ligação.
“Como foi?” todos perguntavam.
“Ah, você sabe, aquela coisa de ‘eu te ligo’. Se for pra ser vai ser.” E dessa vez ela era sincera, falava isso sem o peso de derrota no peito.
A vontade da rotina continua, óbvio. Persistente que só ela. Mas o destino é caprichoso demais, não vale a pena ficar triste por ele não…
Um dia ele colabora, ela tem que acreditar.


