Das coisas que eu entendo*
“Não há raiva, não há morte, só arrependimento e amor. E disso tudo eu entendo muito bem!”
A porta da sala bateu e um ruído forte e seco se propagou por toda a casa, todo o corpo, toda a vida. Tudo aquilo que acreditavam ser sólido.
Fazia tempo que nada era como queriam. Queria viver um sonho, um dia que fosse daqueles em que se dorme com sorriso estampado no rosto e em que se sente a vida passar levemente.
Ou então, topavam até o extremo oposto, uma briga fenômenal com direito a feridas abertas e insultos pra lá de grosseiros. Desde que acabasse em um abraço e diversos pedidos de desculpas, é claro.
Mas o que tinham era só o tédio, a rotina. Um desconforto crescente no peito que às vezes parecia explodir. Uma explosão por ora contida, explodir também não fazia mais efeito.
Será que tinham chegado no limite?
O limite de um amor de verdade, o limite de uma convivência normal. O limite entre o bom dia na cama e o adeus daquela saída.
Nunca saberiam.
“Você não ligou quando eu disse para ter cuidado. Tinha razão você precisa ser livre.”
*Inspirado na música “Das coisas que eu entendo” da banda gaúcha Nenhum de Nós
Vídeo by Rê


