“Orelha não tem pálpebra”
Essa expressão não sai da minha cabeça. Me deparei com ela na semana passada enquanto terminava de ler o “Vergonha dos pés” da Fernanda Young. Livro que gostei muito por sinal. Me deparei com ele em um sebo enquanto voltava de uma entrevista e acabou sendo uma daquelas boas aquisições que fazemos por acaso.
Dois dias depois meu pai me disse outra coisa parecida:
“O segredo pra gente ser feliz filha é desligar os canais que nossos ouvidos tem com nosso coração e com nosso cérebro. Coisas ruins tem que entrar por um ouvido e sair pelo outro. Se não a gente sofre mesmo”.
Logo ele, que geralmente fala um idioma bem diferente do meu.
Infelizmente o ouvido é um canal receptor sempre aberto. Nem uma piscadela nos salva de coisas indesejáveis. Ouvir não é uma opção.
E assim, diariamente somos bombardeados com barulhos e falas indesejáveis. Pode ser uma ofensa desnecessária, um xingamento no trânsito, um choro de criança pra lá de perturbador ou alguma conversa alheia que não acrescenta nada na nosa vida.
Ouvir nunca vai ser uma opção. Afinal orelha não tem pálpebra.


