Robs observando

O mundo pela minha ótica

Na cama

É ali, naqueles minutos que sucedem o abrir dos olhos, o recuperar da consciência que divago o máximo possível. Tudo que tem me encomodado vem a tona sem dó nem piedade. Logo que acordo sou bombardeada com um verdadeiro turbilhão de sentimentos, ansiedades e pensamentos infinitos.

É ali onde me permito ser o mais parecida com quem realmente sou. Sou só eu, os lençóis e algumas cobertas que me fazem companhia nesse frio. Não há censura, nem pudor, nem tão pouco vergonha.

Ali sou quem sou. Quem posso ser. Infelizmente não sou quem quero ser. Querer e poder deixaram de ser sinônimos há muito.

Ridiculamente é a hora que sonho com mais profundidade, com mais verdade. O onírico dá lugar para o real. Sonhar com a realidade pode ser belo, mas na maior parte das vezes, não vou mentir, é doloroso. Porque temos a consciência de que tudo é somente um sonho. Se for cruel o bastante posso dizer que são mentiras inventadas pra amenizar o novo dia que aparece.

Começo sempre pensando nas saudades, nas vontades, nos desejos, nas lembranças do que não volta mais. Passo a sonhar acordada pra amenizar tudo que me aflige. Mas sempre acabo sabendo que são só mentiras.

Levantar e enfrentar o que vem pela frente, seja lá o que for, é a única opção que me resta. A que menos quero, mas como disse, a única que posso.

Mas amanhã a cama volta e nela serei novamente eu, sem máscaras, sem rótulos, com desejos e sonhos. Infinitos.

23 Junho, 2008 Publicado por robservando | Divagações | | 3 Comentários