Memorabília
Eu sempre tive uma memória olfativa pra lá de aguçada. Do nada sinto um cheiro e pareço ser transportada para uma determinada época e invadida por 50 mil lembranças detalhadas e saudosistas.
Hoje foi um cheiro de produto de limpeza qualquer; algum perfume específico misturado com álcool pra me fazer viajar (não, eu não me droguei).
Bastou algumas inspiradas mais profundas no ambiente e pronto: lá estava eu com cerca de 7 anos assistindo a “Tia Elaine” colocar um desenho bem bonito em um lado do rolo compressor junto com o carbono, tirar uma lâmina em que uma almofadinha regada de álcool se acomodava apertadamente e depois ir girando a manivela. Aí magicamente ía surgindo uma cópia do mesmo desenho ali do outro lado. Um tanto mais molhado e com tons de azul e roxo é verdade, mas isso eu achava que era efeito da mágica, claro.
Quem tem uma idade igual ou superior a minha já sabe do que me lembrei né? Do Mimeógrafo oras!!!
Se você é muito mais novo do que eu não ache que eu sou louca não… Isso existiu sim!! Era uma espécie de xerox-scanner-impressora do passado, não muito distante até.
O Wikipédia confirma olha só… http://pt.wikipedia.org/wiki/Mime%C3%B3grafo
Era frequentemente usado na escolinha, todas aquelas lições super importantes com enunciados como “Pinte o porquinho”, “Ache o esquilo”, “Ligue os pontos do patinho” ou “Onde Fifi vai chegar?” eram feitos assim… um a um.. totalmente manual e talvez por isso parecessem feitos com mais carinho e dedicação.
Pode ser coisa de gente velha pensar isso, mas acho sim algo muito frio apertar um botão e ter quantas cópias desejar de um documento qualquer. Que importância pode ter uma coisa assim?? heheh
O curioso é imaginar que a impressora aqui de casa causa a mesma fascinação nas minhas sobrinhas. É só as duas ouvirem o barulho da danada (que não é pouco se comparado com o agradável trec trec do mimeógrafo a cada folha copiada) pra correrem aqui embaixo do pc e ficarem esperando a folha sair com carinhas super ansiosas!
Vai ver o mágico é a infância e a lembrança; e não uma máquina copiadora, seja ela qual for.
Vai ver…
Temporary Internet Files
Segunda-feira nunca foi muito problema pra mim, sempre sofri mais com a maldita musiquinha do Fantástico no domingo à noite do que com a segunda propriamente dita.
Mas uma segunda-feira depois de um fim de semana sem graça é crueldade demais. Poxa senhor telefone, eu já não fiz nada que preste o sábado e o domingo inteirinhos, precisa gritar no meu ouvido às 4h30 e me fazer enfrentar o chuveiro com esse frio todo???
Poxa, se o fim de semana tivesse sido bom eu até aceitava numa boa, afinal eu ía estar de bom humor e podia encarar a segunda-feira como uma espécie de “não se acostume com a vida boa”, mas poxa o fim de semana já foi ruim, não preciso de uma segunda-feira pra piorar mais ainda né??
Segunda é dia de pegar a primeira roupa que ver pela frente, de não se importar em tentar domar o cabelo e de chegar no trabalho com cara de criança brava e mimada porque tiraram meu tão precioso fim de semana.
Não é justo ter que enfrentar uma segunda-feira com essa esperança no peito de que a semana seja melhor do que o sábado e o domingo. Não é!!
Que chegue logo ao final, seja lá o que for necessário ter fim…
Ironias do destino… será?
Impressionante como uma noite que estava planejada de uma maneira pode ser transformada totalmente. E claro, pra pior. É aquela máxima de que nem tudo tem explicação. E não tem mesmo. Por mais que eu tente encontrar uma.
Também queria achar uma maneira de mostrar para as pessoas que eu me importo. Que eu gosto, muito. Que eu sinto falta. Mas tinha que ser de uma maneira que não deixasse dúvidas, que não sobrasse mágoas.
Queria entender essas tais ironias do destino que me forçam a sempre deixar uma lacuna sem preenchimento. Um vácuo entre algo que deveria parecer com o que eu sinto que é: uma amizade cheia de importância. Daquelas em que se há falta, há dor também. Intensa.
As vidas são diferentes. Os horários também. O sentimento eu espero que não. O curioso é a ironia que planeja cuidadosamente inúmeros desencontros. E que vão muito além dos físicos.
Sei lá, só sei que sinto falta.
E eu que nem lembrava direito como era sentir essa melancolia… É pior do que eu imaginava. Ah é…
Estranheza
O dia começou estranho. Passou cada minuto e cada horinha estranho. E terminou estranho. Posso dizer que o dia terminou sim, já passa das 18h e daqui pra frente tudo que vier é noite, que também parece que será estranha.
Acordei cheia de saudade, de melancolia e de sentimentos… estranhos.
É estranho demais quando me sinto estranha assim, principalmente sem nada estranho ter acontecido. E começar se sentir assim as 4h30 da madrugada, depois de uma noite muito bem capotada é mais estranho ainda.
E aí as horas se arrastam, o dia estranho cresce e cresce e eu sei cada vez menos o porquê de tanta estranheza.
O lugar que frequento há quase dois meses parecia estranho, os hábitos costumeiros pareciam não fazer tanto sentido e o caminho pra casa estava pra lá de estranho. As pessoas que cruzaram meu caminho, as músicas no MP3, as crônicas do livro, os trechos de programas no zapping do controle remoto… tudo.
Tem pensamentos estranhos na minha cabeça também, mas isso de estranho já não tem nada, tem é de rotineiro. A intensidade talvez seja um pouco.
Tá estranho… ainda bem que logo acaba, o dia, e a noite também.
Humor político
Nenhum programa de humor me diverte mais do que a palhaçada do Horário Eleitoral. Nenhum! Nem o Mr. Bean. Nem o Monty Python.
É impressionante a criatividade dos candidatos. Um slogan mais criativo que o outro. “Não sou macho mas ainda sou homem”, diz Léo Aquilo de terninho e gravata rosa. “Corinthiano vota em Corinthiano”, convoca o jogador Dinei.
Um pouco mais longe, em Mogi, tem um cara que apela pro preconceito: “não vote em branco, vote no negão aqui”. Pouco depois tem um sincero: “não tenho planos, mas vai que dá certo, vote em mim”.
Os nomes eu prefiro nem comentar, são tantos esdrúxulos que eu nunca mais pararia de listar. Pra citar um só, quem não comentou com alguém sobre o Kid Bengala? Sem contar o não sei quem RolaBosta, dono de uma desentupidora lá na região Norte.
Tem até um nepotismo fajuto por aí, o tal Enéas Filho nunca se quer chegou perto do verdadeiro. E será que o vereador wannabe Fábio Kassab, candidato pelo partido da Soninha é algum parente avesso do prefeito?? (Santo Google e nada santa Folha me dizem que sim aqui)
Mas até aí, sei lá, é relativamente perdoável né… aquela ignorância de achar que vereador é coisa pequena e deixar passar. Mas e se a gente for para os candidatos à prefeitura de São Paulo??
Essa guerrinha entre Marta e Kassab não me faz rir não viu… tenho medo demais do futuro da cidade pra conseguir dar risada disso. No máximo dou umas gargalhadas com o “carrega na catraca” e o Kassab tentando dar uma de descolado dizendo que vai deixar a cidade “supimpa”.
Rir pra não chorar… já que a Soninha dificilmente ganha essa disputa. Ela pode não ter experiência mas é a única que parece ter o mínimo de honestidade.
A, B, C, D… E não.
A acha que B está errada. B acha que A está errada.
Se A e B percebessem que são completamente iguais e cometem exatamente os mesmos erros seria tudo mais fácil.
Mas pra que? Elas tem a C pra reclamar…
ODEIO ficar no meio de brigas alheias, ODEIO!
Mas é o que chamam de família não é?
E hoje logo cedo teve papo bravo de “pode ser você que vá sustentar a família depois que eu me for, você tem que ir atrás de concurso público e blá blá blá”.
ODEIO papo bravo ODEIO! Ainda mais logo cedo quando eu não funciono. Não argumento. Só escuto. Será que todo mundo tem a sensação de que a família toda desaba em cima de si?
Nha… post inútil! Post de desabafo… post normal.
Sem crises, por favor. A e B brigam, D reclama e tem papo bravo. C tem direito de descarregar no blog oras. Acho mais digno do que ir atrás de um E qualquer e torrar mais um com as mesmas histórias e picuinhas de família.
Uma imagem e uma lembrança
Já aviso de antemão que este post será previsível, lugar-comum e não trará novidade alguma. Por que escrevê-lo então?
1- Pra passar o tempo de uma manhã chuvosa em um domingo de plantão.
2- Não tenho idéias ou motivações melhores no momento.
3- Coisas mundanas e por muitas vezes, óbvias, me fascinam.
Aviso feito, vamos ao texto propriamente dito. Aqui na Box, ali na parede ao lado existem seis monitores de plasma ligados ininterruptamente exibindo a programação de determinadas emissoras.
Enquanto meu serviço não exige muito de mim me permito olhar as imagens aleatoriamente. Um culto qualquer, um desenho animado, um programa de compras e outro de esportes. Na última telinha me deparo com um programa muito parecido com um que me remete à uma época da minha infância que morro de saudade.
O nome não é o mesmo, o apresentado é parecido mas minha miopia não me permite confirmar; pena que as TVs ficam no mudo, pois a voz dele eu nunca confundiria, tenho certeza.
Quando contar o programa você provavelmente não irá acreditar. Nem eu acreditaria. O tema nunca foi algo que me interessasse, se quer que chamasse a minha atenção. Mas tem coisas que se tornam inesquecíveis meio sem explicação.
Pesca & Cia. Eram imagens de um rio, um barquinho e peixes de todas as formas, cores e tamanhos que pareciam regidos por aquela voz doce e carinhosa daquele cara que na época eu nem me preocupava em saber o nome. (E que agora, tanto tempo depois nem o Google me ajudou a descobrir)
E por que eu assistia? Por que eu ficava acordada a essa hora (por volta das 6h30) em um final de semana se naquela época não tinha a infelicidade de encarar plantões?
Bom, naquela época eu tinha que fazer (ainda mais do que hoje) o que meus pais mandavam. E a ordem era acordar bem cedo para pegar a estrada rumo para Jarinú, onde tinhamos uma chácara para onde íamos religiosamente todos os finais de semana.
Eu acordava, me trocava, me enrolava na manta xadrez verde e marrom e ficava na frente da TV esperando minha mãe trazer a caneca de Toddy quentinho e meu pai carregar o carro com todas as bagagens. Mais divertido ainda ficava quando meu cunhado ía lá pra casa para seguirmos para o interior todos juntos. Afinal aí eu podia fitar os olhos fascinados dele a cada peixinho pescado.
Devo ressaltar que o tal apresentador da voz amigável pegava o peixe, dizia os elogios mais doces que pareciam dirigidos para uma dama – às vezes arriscava uns carinhos também – e devolvia o “amigão” para as águas. Era realmente bonito demais de se ver, principalmente pela simplicidade.
A casa se movimentava com um sobe e desce de malas, entrada e saída de pessoas, o sol arriscava a expulsa a neblina lá de fora, o sono ía embora aos poucos e aquele programa embalava as manhãs que prometiam um final de semana gostoso pela frente.
E quem diria que uma imagem em uma telinha na parede da empresa me faria sentir até o cheiro do perfume que minha mãe usava naquela época e o toque da “Cheirinho” (minha boneca inseparável)…
Histórias de rotina
Eu entrei, passei o bilhete na catraca e peguei o último lugar da janelinha disponível. Falava ao telefone, avisava que chegaria mais tarde que o costumeiro e ela ali sorridente me olhava querendo conversar. Uma senhora cheia de bolsas e sacolas que veio lá de trás sentar ao meu lado.
Desliguei o telefone e ela sorriu novamente. Sorri meio amarelo, meio tímido, meio “nãotoentendendonada”, e anti-social como sou coloquei os fones no ouvido e assim permaneci, mesmo depois que as pilhas do MP3 me deixaram na mão. E ela ainda olhava de vez em quando pra mim e sorria.
Na minha cabeça das duas uma: ou era louca, ou era chata. O que pra mim no fim dá na mesma. Dos dois tipos prefiro distância.
Só me intrigava o porquê ela tanto me olhava. Instintivamente arrumei o cabelo, passei a mão no rosto e a língua nos dentes. Vai que algo estava fora do lugar e ela ria de mim e não para mim não é mesmo?
E foi assim o caminho todo até que a motorista disse: “senhora estamos na Caminho do Mar, onde vc quer descer mesmo??” E ela com a voz mais tímida e medrosa respondeu : “no barateiro fia”. Olhei meio com o canto do olho no papelzinho amassado que ela apertava entre os dedos e o endereço que estava escrito era o meu; a rua, o número era o de dois prédios acima.
Sabe lá porquê resolvi retribuir o sorriso e me ofereci pra levá-la até o endereço que o papelzinho suado mostrava.
“Tá vendo, arrumei uma amiga que vai me levar motorista. Muito obrigada! Sabia que ocê ía ser minha salvação fia, desde que sentei do seu lado sabia que era ocê que ía me levar até meu destino.”
No caminho entre o ponto de ônibus e o destino da senhorinha descobri que ela mora no Capão Redondo, estava viajando entre baldeações há 3 horas e o destino era a casa da nora e do filho, três prédios acima do meu. Ela tinha acabado de se tornar avó e veio ficar uma semana com o novo garotinho.
Sensação de boa ação do dia e de remorso de não ter retribuído a todos os sorrisos. O curioso é que não consigo parar de pensar em quantos mil significados um gesto pode ter.
Pó de guaraná
Alguém aí já tomou isso? É muito ruim? Funciona? Como toma?
É impressionante como ando cansada. Tenho mil idéias pra desenvolver lá no outro blog mas o cansaço me impede de levar em frente. Tem os shows da última sexta, tem os livros do Duca e tem até um DVD pra lá de interessante que eu queria babar sobre… mas as pálpebras pesam sabe como é?
E aí até aqui anda mais abandonadinho do que eu queria. Alguns amigos me dizem que eu sumi também. É o sono, é o cansaço, é o fato de acordar as 4h30 da matina todo santo dia; e essa semana ainda tem plantão no fim de semana, ou seja, cada dia vale por dois, descanso mesmo só láááá no dia 19.
Acho que a única coisa que anda em dia são as fotos. Minha filhota S5 tem me surpreendido tãooo bem, meu flickr anda todo bonitinho e atualizado.
Queria fazer deste blog uma terapia diária, soltar umas palavras aqui na telinha faz um bem danado, mas o sono na maior parte das vezes não deixa.
É por isso que pergunto… pó de guaraná, adianta?


