Um título qualquer
É daqueles dias em que se eu tivesse que escrever não conseguiria.
É daqueles dias em que se o computador não fosse a base de qualquer texto, a folha ficaria me fitando com aquele branco e aquele vazio ultrajante.
É daqueles dias em que a tinta da caneta aberta podia secar até que algo que prestasse me viesse a mente e me fizesse botar a bendita pra trabalhar.
Curioso é que eu não tenho obrigação alguma. Nem com texto. Nem com leitor. Nem com blog. Nem comigo.
Curioso é que fico aqui tecla após tecla jogando o que vier na cabeça em uma janelinha tosca e básica do bloco de notas.
Curioso é que depois vou copiar todo esse texto e colar no blog. Decidirei uma categoria qualquer, um título qualquer e um clique no botão depois vai estar tudo aqui.
Curioso é que provavelmente alguém vai ler.
O que faz isso é a necessidade que vem de algum lugar daqui de dentro.
Necessidade de colocar em prática a terapia que escrever sempre foi pra mim.
Necessidade de ocupar a cabeça com coisas desimportantes.
Necessidade de qualquer coisa que me faça desopilar, descansar.
É, assim, qualquer coisa. Sem sentido mesmo.
Lágrimas de moça
A moça do banco da frente chorava. Mal se sentou, começou a fitar a vida pelo lado de lá do vidro.
Lembranças devem ter vindo a mente, ou apenas o aperto costumeiro no peito. Segundos depois ela tirava o óculos e limpava os olhos com rapidez e um certo constrangimento de que alguém pudesse perceber as lágrimas rolando.
Desculpe, mas eu vi. Enquanto ela olhava a vida lá fora eu me perdi no reflexo do vidro e na sua expressão tão triste.
Seria uma briga? Uma lembrança? Uma saudade? Uma raiva contida? Ou apenas uma TPM? Uma vontade de chorar que ultrapassava o limite do público, isso é certo.
Eu desci antes, sem que se quer ela percebesse que alguém compartilhava daquele choro. Desde as lágrimas limpas pela mão nervosa até o papel grosso que machucava ainda mais o caminho daquela água salgada.
Desculpas, mil desculpas moça se transformei sua dor em umas linhas do meu blog. Mas o fato é que, confesso envergonhada, sua dor era bonita de se ver, tão bonita que quase a tomei pra mim.
Assim que é…
Uma saudade especial da minha infância me invade durante os plantões de domingo.
A empresa não tem muita gente e fica bem mais silenciosa, o que favorece o pensamento. Mas na verdade o que alimenta a saudade é o excesso de trabalho, a escassez de horas de sono e a falta da mão da mãe o mais perto possível pra gente agarrar nas horas de insegurança.
É lugar-comum mas eu nem ligo porque afinal é bem verdadedeiro e não adianta fingir o contrário porque é fato comprovado: Todos éramos felizes e não sabíamos.
A maior responsabilidade era levar a lição de casa prontinha pra professora no dia seguinte e a maior preocupação era com o tempo que restaria para brincar. E eu achava muito!
O problema é que especialidade de qualquer pessoa só perceber que era bom quando não tem mais. A minha é pelo menos. Não com relação a tudo, só àquelas coisas que temos sem muito esforço.
E sim, eu sei que toda essa saudade só vai piorar quando tiver que me sustentar, administrar uma casa, ter uma família em que faça parte da base responsável para que nada despenque.
Claro que existe o outro lado; existem certas coisas pra lá de recompensadoras que uma criança não pode. Tomar gelado, com certeza é a mais bobinha.
É o tal toma lá da cá. Aguentar o tranco, aproveitar a recompensa e levar a vida conforme der deve ser o segredo.
Ao menos até perceber que na verdade é a vida quem te leva, no máximo você aponta o caminho.
Hitchin’ a ride
A noite estava bem bonita. Nem fria, nem quente. Nem escura, nem clara demais. Eram daqueles momentos em que se é acometido por uma vontade súbita de fazer algo fora do comum.
Não fiz nada diferente. Apenas fora do usual pra mim. Desci uns bons 5 pontos antes do que devia e tomei o rumo de casa caminhando.
Fones no ouvido. A música alta o suficiente pra não ouvir o barulho de mais nada. É perigoso sempre diziam. Mas não tava nem aí pra isso… Só queria andar e ver a vida e as pessoas passando por mim como se estivesse em um videoclipe qualquer.
É curioso a cara com que te olham. Não sei se é porque você não ouve nada além do que quer. Ou se as pessoas carregam um semblante realmente engraçado quando tomadas de curiosidade.
Fast-help
Na placa…
PLANTÃO DE PSICOLOGIA GRATUITO: DEPRESSÃO, PÂNICO, ANSIEDADE.
Na calçada…
um garoto meio perdido ensaiava alguns passos em direção a portinhola. Quando se aproximava parecia pensar melhor no que ía fazer e voltava atropelando quem passasse por ali. A calça surrada, o moletom gigante e o cabelo desgrenhado mostravam qualquer um de sua idade.
As marcas que carregava mostrava quem ele realmente era. O problema era que nem ele mesmo sabia disso. No entanto havia a vontade incontida de descobrir e o medo escancarado do que estaria por vir.
Em poucas horas o plantão inusitado acabaria e ele iria mais um dia pra casa sem ter se quer tentado.
Em um dado momento uma coragem súbita o invadiu e foi decidido subindo aquela escada estreita que parecia nunca acabar.
Na recepção…
Uma atendendente entregou uma ficha gigante com vários quadradinhos aflitos esperando pelo “x” e perguntas intermináveis: tentativa de suícidio, drogas, assassinato…
Devolveu a ficha com uma ou outra marcação entre aquela lista interminável.
“Mas eu só queria conversar um pouco”. Foi tudo que conseguiu dizer em meio a tantas frases ditas com descaso. Ao meio de tanto vazio, de um olhar que nunca parecia cruzar o seu. Daquela sala gélida e dos tacos de madeira soltos pelo chão.
“Tem muita gente pior que você, faça-me o favor rapazinho”
Na volta pra casa…
Foi embora levando consigo sua tristeza, seu medo e sua expectativa.
Ainda tinha alguma coisa pra levar ao menos, só não sabia por quanto tempo. Afinal, tinha muita gente pior que ele.
Era o que diziam.
Só mais um dia
A avalanche sempre chega após um dia de calmaria. Eu já devia saber.
Me deixa aqui quieta se não quer me aceitar como sou. Se não entende que meu sorriso anda mais sincero, se minha vida parece mais leve. Pra que querer mudar isso? Que espécie de prazer bizarro sente nisso?
Eu sei que não é calculado. Não é premeditado. Nem planejado. Eu sei. Afinal, amor incondicional é o que dizem. E eu acredito. Mas então me deixa em paz, só isso que peço.
Ouça minhas histórias e sorria junto comigo por favor. Ou então nem me peça pra contar. Senta aqui e finja se interessar e realmente escute o que eu falo. Ou então senta ali no outro sofá e me manda ficar quieta enquanto assiste qualquer coisa na TV.
A TV não tem pausa, não espera. Eu posso. É o que parece.
A avalanche sempre chega após um dia de calmaria. Eu já devia saber.
Sei que não é nada demais. É só mais uma briga, mais um conflito de gerações, mais um dia em família. Eu devia esperar, devia saber até a hora exata que vai acontecer, mas é sempre tão de repente.
Sei lá, nunca vou acostumar. Sempre leva o sorriso pra longe. E no mais, escrever faz amenizar.
Amizade…
Amizade é o que acontece quando você nem percebe o tempo passar. É o que acontece entre sorrisos, bobeiras, sintonias e abraços. É o que acontece enquanto a vida passa e você se sente leve.
Amizade é alguns cabelos vermelhos, uns mega sorrisos e diversos abraços apertados. É refazer uma foto de mais de dois anos atrás. É fazer alguns minutos no intervalo do almoço valer mais do que a semana inteira.
É comer pizza da tia Ruth com alucinógenos. É fazer surf no ônibus. É dividir brownie de espresso e ainda dar comida na boca. É gargalhar sem medo de ter pizza nos dentes depois.
É também registrar tudo isso em mais de 40 fotos em menos de 3 horas. É fazer valer cada momento ao lado de tanta gente querida. É comemorar aniversário do jeito mais simples e divertido possível.
É contar histórias. É fazer invenções. É “voar, voar, subir, subir”. É “ir por onde for”. É saudar o Rey Byafra Maurycio. É anotar pérolas do dia em um guardanapo da SB. É descobrir onde é o zoom da câmera e rir largamente por causa disso. É também aulas express de fotografia.
Amizade é o que aconteceu hoje em algumas poucas horinhas de uma terça-feira chuvosa com jeitão de uma balada de sexta-feira, daquelas em que o prenúncio do fim de semana tá ali bem pertinho. É o que aconteceu hoje e me faz ir dormir cansada com um sorrisão no rosto e
muito pronta pra enfrentar o resto da semana que vem pela frente.
Obrigada meninas!! Obrigada pela amizade!
O que ficou dessa semana…
Tenho uma certa tendência a não acreditar em convenções, talvez porque elas sejam impostas a mim a todo momento, principalmente nos últimos anos. Tenho certas dúdivas desse ser superior que muita gente prega a torto e a direito, mas em um Deus eu acredito.
Acredito em certo em errado, em bom e mau, em destino quando me convém. Mas acredito mais ainda em uns certos sinais cósmicos que não sei bem de onde vem. Minha vida é repleta deles, em algumas fases mais, em outras menos.
Nesta semana eles me cercaram a todo instante. Parecia que estava em meio a um tiroteio de informações, tentações, incertezas e diversas bifurcações, “trifurcações”, “quadrifurcações” com caminhos diferentes e atrativos a seguir.
O ruim é que os sinais também trazem de braços dados o medo, a incerteza e a insegurança. Companhias mais do que duvidosas e nada bem-vindas. Mas é o preço que se paga, ganhe sinais mas carregue de brinde fardos pesados.
Nunca sei se tomei rumo certo após fazer as escolhas. No máximo sinto a felicidade e o alívio que me tomam de assalto.
Mas é isso que chamam de vida não é? Fazer suas apostas, armar suas táticas e tentar passar por ela de forma leve e ao mesmo tempo marcante.
Você pode ser grande mesmo sendo pequena… é o que tenho pensado, se é que você me entende.
Olha só, a felicidade tá aqui!


