Robs observando

O mundo pela minha ótica

Buckterapia

O fim de ano fez o lugar tão especial ser confortável novamente. Praticamente vazio. Frank Sinatra cantava no meu ouvido e me transportava por um filme agradável qualquer.

Uma tarde com a melhor companhia do mundo, o melhor presente do mundo, o melhor café do mundo. E o mundo se reduzia àquele sofá, àquele olhar, àquele diálogo.

Felicidade instantânea em um copo tall com cheiro de canela e gosto de carinho. Abraço sem prazo de validade e espontaneidade duradoura.

Um fim de semana de plantão tranformado em boas horas. Sem pressa. Sem compromisso. Com cara de fim de ano, mesmo sem recesso.

Ano de inúmeras felicidades e de poucas, porém profundas, tristezas. Mas não havia lugar para elas ali. Ficaram do lado de fora, foram impedidas de passarem seus pés sujos além do tapete cinza com logotipo verde.

Ali dentro só quem eu escolhi, só o que escolhi, só o que ganhei e mereci. Por que não?

2009 já está bem aí num horizonte próximo. Só peço que ele seja leve… tão leve quanto essa tarde.

28 Dezembro, 2008 Publicado por robservando | Trivial | | 4 Comentários

Ali, além

Tenho olhado muito para o céu, namorado as nuvens, sonhado em casar com as estrelas. Ser levada para aquela imensidão, além dos olhos, além da percepção de qualquer um.

Nas nuvens é onde mais me perco. Vejo formas, texturas e até sabores. São verdadeiros chumaços de algodão! (E nem vá perder seu tempo me tantando fazer mudar de idéia). As noturnas são ainda mais inebriantes, exatamente por sua raridade.

Tomada por uma necessidade de parar de ver as coisas que acontecem aqui embaixo. Asco da humanidade na maior parte. É por isso que me perco por lá, onde ainda parece haver calmaria. Era lá que queria estar.

Pode ser radical, nem ligo. Ao menos enquanto faltar coisas boas para serem vistas e sobrar tanta escória. O mundo anda muito preto e branco pra mim, e olha que eu sei apreciar como ninguém a sobriedade.

Enquanto é assim eu sonho com o céu e me contento com meu mundo particular. Bem restrito, com direito a senha para entrar.

3 Dezembro, 2008 Publicado por robservando | Revolta | | 3 Comentários

Só… ela

Lá fora tem um sol radiante mas dentro de casa a menina usa moletom. Talvez pra se proteger do frio que sente vindo de si, talvez pra se proteger dos olhares gélidos que vem de lá. Ou será que não existe frio? Talvez seja só a calota polar que ela constrói em torno dela. E mal percebe. Talvez seja imaginação, mania de perseguição, vontade de ser invisível saciada. Talvez seja verdade, crueldade, maldade, nenhuma piedade. Talvez nem se importem e seja só indiferença. Mas pode ser a indiferença só?

Respostas ela não tem, perguntas pra variar tem demais. Diferente? Obsoleta? Estranha? Depressiva? Dramática? Aumenta tudo que vê? Tudo que sente? Tudo que deseja sentir? Que deseja ter? Que deseja viver? Que deseja ser?

Com o tempo o frio vira calor. Calor incontido, suor pelos poros, respiração ofegante e devaneios. Sufoco, falta de ar. Gotas no vidro, hálito quente. Vontade de sumir, de parir, de se unir, de sair. Sair de lá pra outro lugar, sair dela pra outra pessoa totalmente diferente. Diferente no olhar, no gosto, no corpo, no sentimento.

O sol já não está tão forte. Ela tira o moletom. Joga em qualquer canto, entra no banho e desenha o que lhe vem a mente no espelho. Se olha e não sabe quem é. Não sabe de nada, não quer saber. Só quer ser. Alguém, ninguém. Qualquer um que não se preocupe em saber.

Sem sol. Sem frio. Sem sentimento. Sem pergunta. Sem julgamento.

Só.

1 Dezembro, 2008 Publicado por robservando | Fantasia | | 2 Comentários