Robs observando

O mundo pela minha ótica

“A vida pra estar só”*

“Eu te avistei no meio de tanta gente feliz
e resisti por não ser igual
fiquei ao seu lado buscando um aval” *

Hoje eu almocei sozinha (por almoçar entenda comer dois pães de queijo e tomar um Vanilla na SB); e eu não tenho costume disso.
A comida desce meio torta geralmente. Não gosto de dividir uma mesa com a minha bolsa e meu casaco apenas. Viajo em olhares curiosos da minha solidão. Não gosto.
Mas hoje eu gostei, e não tenho costume disso. De repente tudo que eu precisava era daquele momento, meu e somente meu. Na companhia de uma bebida quente.

Saí de lá e passei algumas horas em uma sala teste. Análise. Questionamentos. Expectativas, desta vez sem pressão. Foi leve, como algo que deveria passar. Sem tremores, sem gaguejos, sem devaneios pessoais. E eu não tenho costume disso. Não faz tanta diferença.

Depois o metrô e o ônibus. Cheguei cedo no 359, fiquei lá sentada de expectadora. Mera curiosa de detalhes alheios. Uma bolsa com estampa divertida já vista no Center 3, o livro mais novo do autor preferido, um cabelo que lembra motivos da minha saudade, um sorriso ao cobrador. Algumas vezes dá até vontade de se aproximar de um desconhecido… E eu não tenho costume disso.

No caminho das ruas pra casa o vento frio batia no meu rosto a cada passo. Podia ser um tapa pra muitos, pra mim é um afago. A lua lá de longe iluminava meus passos. E era o que me bastava. Estava satisfeita, e eu definitivamente não tenho costume disso.

“(…) a 10 nós pra algum lugar”*

* Poléxia – A solidão dos Planctons (a música) em Poléxia – A força do hábito (o disco)

3 Junho, 2009 Publicado por robservando | Divagações | | 6 Comentários