Espírito natalino
Apesar de capricorniana, extremamente responsável, sensata em demasia e chatinha desde criança eu nunca gostei de obrigação. Não gosto nem do peso que a palavra carrega por si só. Obrigar não é uma coisa que pode ser boa né?
Sempre fiz tudo que me era designado, seja na escola ou no trabalho, mas nunca por obrigação. Faço por saber que tem que ser assim, por fazer parte da vida, por aprender e poder ensinar. É a rotina esperada creio eu.
O que nunca consegui tolerar – e acredito que nunca conseguirei – é a obrigação de sentir determinadas coisas ou de me portar de um determinado jeito em uma determinada época.
Não falo necessariamente do espírito natalino que foi quem pareceu mais adequado para um título apenas. Falo de toda esse sentimentalismo de fim de ano.
As pessoas se abraçam, trocam presentes e apertam o botão da falsidade constantemente. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto nem um pouco desse clima, só não gosto da obrigação de ser feliz.
Eu acho a época triste. Talvez por estar no meu inferno astral. Talvez por não ter a época somente para o meu aniversário. Talvez por algo cósmico, cármico… não sei o motivo exatamente.
Montei árvore de natal. Um pinheirinho natural que cheira a limão decorado com laços vermelhos e estrelas prateadas. Me dei um presente que há muito queria. Comi chocotone e cerejas. Comprei presente pras pequenas da família. Troquei abraços no trabalho, não por gostar da época ou por obrigação, só porque gosto de abraços.
Foi então que na véspera, pouco depois da minha mãe chegar do mercado com o peru e decidirmos qual seria a sobremesa o telefone tocou. A notícia não era nada boa, não parecia com o Natal. Minha tia (irmã da minha mãe) havia falecido há pouco. E agora? Como lidar com essa obrigação de felicidade? O jeito foi fazer birra de criança mal educada e sentir o que dava, deixar o Natal pra lá.
Durante o velório que todo esse questionamento me veio à mente. Semblantes tristes por todos os lados e minha tia ali naquela caixa de madeira. Ela estava com câncer e já bem fragilizada, não parecia em nada com a senhora de abraço apertado e café gostoso. Só restavam dúvidas e pesar.
No entanto, em algum lugar dava pra enxergar o tal espírito natalino. A família estava reunida. E a obrigação da felicidade se transformava em frases como “força”, “se precisar estou aqui” e “foi melhor assim”.
Os rituais da vida são muito estranhos. Os da morte, quem sabe?



nossa… o que dizer?
sinto muito pela sua tia. sinto pela perda da sua mãe.
a vida é mesmo estranha.
acho que o texto que postei no blog hoje explica um pouco o que quero dizer.
se precisar de mim estou aqui, pronta pra te abraçar independente da época do ano!
Te entendo (da pior forma possível): perdi meu pai ontem, logo após um Natal tranquilo. Uma certeza: não teremos comemoração de ano-novo este ano. Uma dúvida: como serão os próximos Natais?