Obrigação
Ser feliz parece uma obrigação em certos momentos.
Em semanas como esta questiono diversas vezes se estou no caminho certo, se a direção ainda é a mesma. Descubro coisas que não gostaria de ter enxergado. Me recolho em um canto solitário e fico lá pensando se tudo deveria ser como está.
Procuro sorrisos e vejo muita cabeça baixa. Procuro abraços e vejo um distanciamento incompreensível. Procuro você e só encontro um espaço vazio ao meu lado. Não deveria ser assim.
Me ocupo ao máximo, cabeça vazia é aquilo que vocês já sabem. Acho sentido em frases cantadas en um disco que não gostei. Acho que acho demais, que procuro demais. Devia não pensar. Devia deixar como está. Afinal “não vê saida a não ser levar um dia após o outro”, ela diz.
Não devo ser assim, não sei ser assim. Questiono o tempo todo o porquê. Me deixo levar por coisas que não devia. Me decepciono uma vez mais. Ciclo sem fim e dores brandas. Até a sentir dor me acostumo.
É cobrança de um lado e do outro também. Internamente ela é ainda mais forte.
Ser feliz parece uma obrigação em certos momentos. E eu tento cumprir ao máximo. Me obrigo.
Pensamentos soltos traduzidos em palavras**
…ou anotações do caderninho de folhas coloridas que está próximo de seu último suspiro.
* Escrever pode ser um modo de desabafar. Uma válvula de escape. Mas por outro lado pode ser também uma forma de cutucar feridas e fazer constatações que não quero. Infelizmente por esse motivo acabo escrevendo com ainda menos frequência. Lembra daquele papo de “sou apenas mais um alegre deprê”? Pois é!
* Cultura é uma coisa realmente inspiradora! Ler o livro da Takai (NUnca subestime uma mulherzinha) me fez voltar a pensar em criar vergonha na cara e escrever diariamente ou ao menos semanalmente uma crônica que seja. Um dia, quem sabe.
* Ego é uima coisa complicadíssima de lidar. Arrogância é pior ainda. Quando um arrogante nato tem seu ego abalado então… sai de perto!
* Dar a máxima atenção possível as menores coisas cotidianas pode ser recompensante. A cor e o cheiro da maçã da menina do banco da frente no ônibus me deixou com água na boca! Maldito aparelho!! Nota mental: 1ª coisa que vou comer quando me livrar dessa coisa.
- Dos meus defeitos eu sei ou mea culpa
* Não sei receber elogios. Sempre procuro uma justificativa e uso alguma frase sem sentido ou sem cabimento. Pelo que me lembro nunca saiu apenas um sorrisinho ou o costumeiro obrigada. Algumas vezes até complemento com informações de onde comprei, quanto paguei e por aí vai…
* Morro de medo de ouvir um não. Com isso muitas vezes nem questiono ou convido. Mas isso é grave viu? Já imaginou se a outra pessoa também sofrer desse mal? Eu já. Já até perdi um show do RHCP por isso.
* Não sei lidar com pessoas nervosas ou muito reclamonas. Eu até tento, ofereço ajuda. Mas se continuam reclamando muito eu tento a começar a torcer pra essa situação passar logo.
* Tenho tendência a me boicotar. Principalmente por medo de falhar. Já até perdi a conta de quantos boicotes me dei. São inúmeros, disso tenho certeza. O pior? É lidar com a frustração que vem assim que perceço que fiz isso mais uma vez. E aí prometo que foi a última vez. E nunca é, claro.
* Canso de pensar. Ou de anotar tudo que penso. Muita coisa se perde. Outras se ganham.
** Jota Quest – O que eu também não entendo
Só pra registrar mais uma lembrança recorrente nessa semana. Quando tinha os meus 15 anos fui pela última vez no show dessa banda e pulei enloquecidamente ao som de “o telefone é 3555 e a casa dela é na avenida 35″. Ahhh que saudade!
“Preciso me perder, como preciso de ar”
Fui para o paraíso, voltei e não queria. Lá descobri como viver sem angústia, sem ambição sem fundamento e sem jogos de ego e personalidade.
Uma semana longe pra viver. Era o que eu precisava, e o que eu tive.
Mas na verdade descobri que preciso de mais, de uma vida de verdade, de menos preocupação e uma velocidade cadenciada, ora mais lenta, ora mais veloz. De acordo com o permitido e o necessário.
Aqui há muito a conciliar, a pesar, a encontrar prós e contras e muitas decisões a tomar. As quais na maioria das vezes tomo de maneira errada. Se não pra mim, para os outros assim parece.
Fecho os olhos e relembro. Vejo e revejo as fotos e desejo. Suplico por uma vida que se assemelhe àquela ao menos em 1%.
Não sei se peço muito, se reclamo demais. Sei que sou demasiadamente inclinada a encucar, a deprimir, a questionar. Lá não havia porquê. Lá fui feliz.
Fuga. Refúgio. Chame do que quiser, eu preferi traduzir como paz.
“Perder o rumo é bom se perdido a gente encontra um sentido escondido em algum lugar” *
Sentido encontrado. Vou lá, a vida real me chama e devo obedecer.
* Enghaw – Faz Parte
O que era?
O que antes era urgência agora aparece cheio de disfarces em uma competição sem prêmios.
O que era uma vida baseada em contagens regressivas agora é uma imensidão de reticências…
O que era sorriso no rosto por vezes viraram lágrimas na face.
O que eram telefonemas sem fim são conversas corridas e sempre inacabadas.
O que era uma verdade inconfundível se esforça para não chegar em uma mentira infundada.
O que era certeza é uma dúvida martelando na minha cabeça constantemente.
O que era “borboletas no estômago” se transformou em “aperto no peito”.
O que era?
“Impossível entender minha tristeza
Já desisti não existe porquê
Sou apenas mais um alegre deprê”
devaneios
Hoje acordei com vontade do impossível.
De fazer valer o imediatismo e pular da cama cedo, pra pegar outro rumo. Outro caminho, outro destino. Jogar a mochila nas costas e seguir. Pra onde não importa.
De beijar pela 1º vez o amor da minha vida. De não pensar e sentir tudo diferente.
Ser poeta, cantora, artista do meu próprio espetáculo. Me desnudar sem tirar uma peça de roupa; transparecer alma, coração e sentimento.
Vontade de fazer valer a pena. De valer. De fazer sem pena. O que der na telha. Pra quem quer que seja.
Me bastar, me entender. Te indagar, te entreter. Começo, meio e um fim se tiver que ser assim.
Criar um amigo imaginário e rir do real. Sonhar e concretizar.
“A vida pra estar só”*
“Eu te avistei no meio de tanta gente feliz
e resisti por não ser igual
fiquei ao seu lado buscando um aval” *
Hoje eu almocei sozinha (por almoçar entenda comer dois pães de queijo e tomar um Vanilla na SB); e eu não tenho costume disso.
A comida desce meio torta geralmente. Não gosto de dividir uma mesa com a minha bolsa e meu casaco apenas. Viajo em olhares curiosos da minha solidão. Não gosto.
Mas hoje eu gostei, e não tenho costume disso. De repente tudo que eu precisava era daquele momento, meu e somente meu. Na companhia de uma bebida quente.
Saí de lá e passei algumas horas em uma sala teste. Análise. Questionamentos. Expectativas, desta vez sem pressão. Foi leve, como algo que deveria passar. Sem tremores, sem gaguejos, sem devaneios pessoais. E eu não tenho costume disso. Não faz tanta diferença.
Depois o metrô e o ônibus. Cheguei cedo no 359, fiquei lá sentada de expectadora. Mera curiosa de detalhes alheios. Uma bolsa com estampa divertida já vista no Center 3, o livro mais novo do autor preferido, um cabelo que lembra motivos da minha saudade, um sorriso ao cobrador. Algumas vezes dá até vontade de se aproximar de um desconhecido… E eu não tenho costume disso.
No caminho das ruas pra casa o vento frio batia no meu rosto a cada passo. Podia ser um tapa pra muitos, pra mim é um afago. A lua lá de longe iluminava meus passos. E era o que me bastava. Estava satisfeita, e eu definitivamente não tenho costume disso.
“(…) a 10 nós pra algum lugar”*
* Poléxia – A solidão dos Planctons (a música) em Poléxia – A força do hábito (o disco)
Cristal
Fragilidade. A palavra que ecoa em meus ouvidos. Há algumas horas ela está aqui, insistente, brilhante, e ironicamente ameaçadora.
Como lutar sem saber? Como ajudar sem poder? Como sentir sem querer?
A vida é muito frágil, os laços são estreitos e as ligações facilmente cortadas.
A fragilidade realmente me assusta. Principalmente porque do meu lado, ela praticamente inexiste.
Permissão
Permito-me, sempre que possível, momentos de prazer imediato e isentos de culpa.
Uma barra de chocolate antes do almoço ou horas de sono depois dele. Uma música suave no meio do trabalho.
Chegar aos lábios dele no meio de um devaneio. Fantasiar como criança com um mundo encantado, ou me desligar da realidade saindo aos poucos das cores e sons. Jogar um pensamento breve neste blog.
Faz bem e é de graça. Que mal pode ter?
Permito-me momentos sem culpa porque, em contrapartida, os dias carregados de peso e dedos apontados na face são inúmeros; e por ora, inesgotáveis.
Pensar pra quê?
Escrevo aqui na contramão de idéias e assuntos que me assaltam durante o dia. Escrevo aqui bem menos do que me proponho. Escrevo aqui sem nenhum compromisso, sem nenhum ritual e sem nenhuma periodicidade. Escrevo aqui quando me rendo, quando resolvo assumir que penso.
Pensar pode trazer melancolia na maioria do tempo. Tenho evitado pensar só por pensar. Pensar pra refletir. Pensar pra assumir. Pensar pra constatar. Pensar como um tapa na cara pra acordar e enxergar a vida do jeitinho que ela se apresenta.
Tenho preferido fotografar. Só a parte bela da vida. Só as imagens que não devem sair de cena. Aquelas que devem ficar pra sempre guardadas na memória, no papel e em uma mídia qualquer.
Ontem foi um dia desses, em que juntei amigos, idéias e minha câmera. Rende boas risadas, provalvemente algumas boas fotos. (Acharam que eu fazia um favor, mas na verdade a favorecida master fui eu. Poder “brincar” do que eu realmente queria-ser-quando-crescer é mágico.)
E o pensar fica pra depois, quando se torna inevitável, em uma viagem longa de ônibus sem MP3 ou em um plantão de domingo solitário.
“Hoje quando o sol saiu…”
Sou uma pessoa insatisfeita por natureza. Sempre quero mais. Sempre espero mais. Sempre acho que tudo devia ser perfeito; mesmo quando é bom. Bom apenas não basta, muito menos sacia.
Dona de uma apetite enorme, quero engolir o mundo de uma abocanhada só e aí, geralmente me engasgo. Fica aquele monte de informações, sentimentos e acontecimentos… todos se confundindo com o meu refluxo e se embolando dentro de mim. Certas vezes tudo isso tem até a ousadia de voltar e cair bem na minha frente, e aí eu tropeço, caio feio. Machuca. Geralmente não aprendo.
Em alguns dias perdidos e raros no entanto, me surpreendo com uma satisfação imensa em forma de sorriso estampado no rosto na hora de dormir. Só aí que percebo a felicidade que coisas simples podem proporcionar. Boa música, bons amigos e novas formas de encarar certas coisas.
Não é necessário ser perfeito. Satisfação em formato pocket preenche o vazio e não ameaça ninguém. Muito menos eu.


