Robs observando

O mundo pela minha ótica

50 dias em um

Só porque toda vez que tenho 50 dias em um, 49 deles são ruins.

E porque ele está lá, no lugar costumeiro. Depois de criar a situação e transformar meu dia em 49 ruins.

Definitivamente não era amor o que tinha naqueles olhos… e eu ainda acho que devia ser. A palavra incondicional é muito fora de moda, principalmente quando se vive 50 dias em um.

Ele sempre esteve lá mas o espaço parece cada vez menor. Alguém tem que sair, mas ninguém se move.

O óbvio fica subentendido e jogado pra baixo do tapete. É mais fácil culpar quem não fez nada de errado.

É difícil demais viver 50 dias em um. Ainda mais pra quem se importa…

19 Janeiro, 2009 Publicado por robservando | Indignação, Reclamação, Revolta, Trivial | | 2 Comentários

Ali, além

Tenho olhado muito para o céu, namorado as nuvens, sonhado em casar com as estrelas. Ser levada para aquela imensidão, além dos olhos, além da percepção de qualquer um.

Nas nuvens é onde mais me perco. Vejo formas, texturas e até sabores. São verdadeiros chumaços de algodão! (E nem vá perder seu tempo me tantando fazer mudar de idéia). As noturnas são ainda mais inebriantes, exatamente por sua raridade.

Tomada por uma necessidade de parar de ver as coisas que acontecem aqui embaixo. Asco da humanidade na maior parte. É por isso que me perco por lá, onde ainda parece haver calmaria. Era lá que queria estar.

Pode ser radical, nem ligo. Ao menos enquanto faltar coisas boas para serem vistas e sobrar tanta escória. O mundo anda muito preto e branco pra mim, e olha que eu sei apreciar como ninguém a sobriedade.

Enquanto é assim eu sonho com o céu e me contento com meu mundo particular. Bem restrito, com direito a senha para entrar.

3 Dezembro, 2008 Publicado por robservando | Revolta | | 3 Comentários

Vida real

Eis que pela janela do carro enquanto espero o farol abrir vejo uma cena rotineira, mas triste o suficiente pra me fazer paralisar.

Um homem de uns 30 e poucos anos carregava um cobertor tão esfolado quanto sua vida e suas roupas. A sujeira dos trajes se confundia com a barba por fazer, o cabelo desgrenhado e o resto de dejetos em sua pele.

Ele se aproxima, de uma lata de lixo (entre tropeços) e de pouco em pouco reúne latinhas e garrafas pet embaixo de seus braços, mas sem se certificar antes de que ali não havia nenhuma gota que pudesse matar a sua sede (de quê?).

Entre embalagens recolhidas o resto de alguma comida lhe saciava a fome (de quê?). Impossível não lembrar de qualquer animal irracional revirando o lixo enquanto a coleta não faz seu trabalho.

Mas quem seria idiota o bastante pra lhe cobrar racionalidade? Se nem dignidade lhe resta.

O que fico pensando é o que a vida lhe fez para acabar assim… Ou será que devo perguntar o que ele fez com a vida?

É um daqueles tapas na cara que só a vida tem o sadismo suficiente pra encher a mão e descer com força na nossa cara.

É rotineiro, mas ver de camarote acaba com qualquer um.

7 Novembro, 2008 Publicado por robservando | Revolta, Trivial | | 5 Comentários

Sad…

Não quer sair de casa. Quando sai não quer voltar. Mas também não quer ficar onde está.
Difícil não?

Fones nos ouvidos com alguma música triste. Óculos de sol no rosto.
Evita ouvir o que não quer e pedidos pra falar o que não deve. Evita contato visual.
Evitam lembrar que o mundo existe, e é cruel.
Difícil não?

Calor. Sol forte. Cabeça latejando. Dente (ou falta de) pulsando.
Lá dentro não faz sol, mas o clima é ainda mais pesado.
Difícil não?

Ser forte. Muralha. Mulher admirável.
Na verdade nunca esqueceu quando a definiram como um cristalzinho. Frágil que só e nada

lapidado ainda por cima.
Nem se tornar jóia vale a pena. Quem dirá preciosa.

Conversas que não interessam. Perguntas retóricas. Perguntas similares. Perguntas

repetidas.
As pessoas não tem culpa, mas meu humor não se dá conta disso sempre.
Me recolho. Me escondo. Não entendem e me rotulam de mal educada do mesmo jeito.
Difícil não?

Sempre achei que deveríamos dar tempo à tristeza. Foi contrariar agora aguenta.

Reclamar não adianta nada. Guardar adianta menos ainda.
Fazer seria a solução, só falta saber o quê.
Difícil não?

Se fosse fácil não seria a vida!

A meta é melhorar….
Difícil não? E já sei que não é impossível antes dos comentários…

19 Agosto, 2008 Publicado por robservando | Divagações, Emices, Revolta | | 2 Comentários

Ignorantes Unidos!

Ontem fiz um trajeto que costumava fazer há um tempinho atrás e infelizmente relembrei o quanto a ignorância coletiva é um fenômeno presente na sociedade.
E o pior, ela desencadeia diversas situações…

Situação nº 1

Desembarcar na Sé do metrô sentido Itaquera. Pra sair ilesa disso só sendo seguidora ferrenha do Dalai Lama.
Imaginem a situação: uma criança e sua mãe, um velho daqueles nojentões que pinta a unha do dedinho de vermelho e sua musa muito parecida com a Tati Quebra Barraco, alguns adolescentes sob efeito de qualquer coisa típica da idade, eu e uma menina com a mesma cara de “vai dar tudo certo” que eu sentia estar.
Quando abrem a porteira é aquela beleza, os muleques saem empurrando a criança com a mãe e eu atrás do velho da unha nojenta quase fico presa porque o dignissimo quis que todos abrissem espaço pra belezura da mulher dele. No desespero de ir uma estação pra frente e ter que enfrentar tudo aquilo no sentido contrário resolvo dar uma empurradinha.
Mas ele me me deu um coice. Sim, um coice!!

Situação nº2

Já no ônibus, sentadinha do lado da janela, avisto quem entrando??
O casal nota 1000 e a musa senta ao meu lado!!
O melhor é colocar o MP3 e fingir que nada está acontecendo, afinal o Valadão faz questão de ficar em pé mandando beijinhos pra Tati.

Situação nº3

O casal vai descer, dá sinal e o motorista não ouve.
Conclusão: aprendi vários novos xingamentos, inclusive algo que juntava cabra com ânus e alguma ação nada ortodoxa.
Às vezes fico com dó dos motoristas, principalmente de micro ônibus. Afinal eles desempenham dupla função, dirigem um veículo mais do que hiperlotado, cheio de barulho e podre! Sim, podre… situação nº 4 por favor.

Situação nº4

Um ponto antes do meu, uma senhora dá sinal e uma moça vai em seguida pra descer também. Mas a porta não abre! Travou!
O motorista para, desce e vai socorrer. O máximo que ele consegue é quebrar um dos lados da porta que abre a contra-gosto deixando um espaço pras sacolas da tia passarem, mas ela sem chance.
A menina passa esmagadamente e vai embora. A tia vai ter que ir até o ponto final pra que desmontem a porta e ela possa sair. A sorte é que ela é bem humorada.
Eu, não tão legal assim, resolvo descer ali mesmo enquanto ele segura as portas e me cede um espacinho que me lembra de levar a sério um regime. Porém, melhor sair ali… vai saber como seria no próximo ponto.

É… agora eu já to rindo… mas na hora deu uma vontade imeeeeensa de fazer parte do Ignorantes Unidos que jamais são vencidos!

ps. E a tarifa aumentou há uma semana… Ê Brasil!

16 Fevereiro, 2008 Publicado por robservando | Revolta | | 1 Comentário

Ferrugem X aquela última que morre

Após alguns dias sem escrever nada por aqui, hoje sento em frente ao computador, encaro o teclado e me obrigo a produzir algumas frases, mesmo que sem muita (ou alguma) qualidade.

Não que eu tivesse a pretensão de atualizar todos os dias com textos novíssimos em folha, mas sei bem que na minha fase atual preciso me forçar a certas coisas ou então o esquecimento e a poeira tomam conta dos projetos, mesmo dos mais bobos ou menores como este blog.

Antes era tudo bem mais fácil, as idéias vinham e o texto também, tão simples como abrir os olhos pela manhã. Agora, confesso que até esse primeiro sinal de vida no novo dia me exige mais.

Ontem mesmo, joguei pensamentos soltos em um bloco de notas com a certeza de que hoje pela manhã conseguiria organizar tudo aquilo em um bonito e bem estruturado texto. Mas que nada… a ferrugem me acomete em diversas coisas que antes eu considerava fazer tão bem.

E claro, isso me preocupa e até me deprime em certo ponto. É ultrajante ver que não tenho mais o mesmo controle e o mesmo desprendimento. Me assusta demais ver que após dois anos e meio sem estudar ou trabalhar em um período maior do que quatro meses seguidos me falte palavras pra expressar meus pensamentos, que o inglês não saia quando tento falar e mesmo pra entender algumas músicas ou filmes esteja bem mais difícil.

A ferrugem sabe como ser cruel. Sabe muito bem como colocar o dedão nojento dela nas suas feridas mais abertas.

Logo eu, que sempre tive minha vida tão esquematizada agora procuro trabalho a torto e a direito e não encontro nada. Algumas respostas aparecem e depois somem como se fosse mágica ou alguma piada de um humor bem negro. E olha que eu nem conto mais com a realização do meu sonho de ser jornalista de verdade, daqueles que vão além do diploma.

Já perdi a conta de quantos cadastros preenchi, de quantos objetivos profissionais informei e de quantas esperas inúteis por resposta passei. Além, é claro, das malditas cartas de apresentação… essas juro que tenho vontade de extrapolar e escrever uma do tipo:

“Olá Sr.(a) responsável pela tal empresa X,Z ou Y!
Tudo certinho por aí?

Escute aqui, eu cansei de pensar zilhões de vezes no que escrever pra impressionar o vosso coraçãozinho e convecê-lo a me dar uma chance de demonstrar que posso ser útil pra sua empresa, cansei de procurar palavras bonitas e formais pra dizer como eu sou, minhas qualificações e  tudo mais; cansei também de me perguntar o que faria uma resposta positiva surgir da sua parte.
Então, dessa vez vai ser do meu jeito.
Simples, claro e objetivo: Eu PRECISO trabalhar tá entendendo??
Óbvio que vou te dizer aqui que sou boa o bastante, responsável e que trabalho bem em grupo. Óbvio que vou deixar bem claro que distância e horário de trabalho não é problema pra mim. Se bobear, te digo até que sou bem humorada às segundas-feiras logo cedo.
Mas se o senhor for uma pessoa boazinha e quiser ir pro céu, faz o favor de ao menos marcar uma entrevista comigo? E mesmo que não vá com a minha cara o que custa tentar ao menos 1 mês com a pessoa que vos escreve figurando o quadro de funcionários da sua estimada empresa??
Pense bem, o senhor estará contribuindo com o bem estar emocional, psicológico e físico (sim, porque horas na frente do PC ou da TV dão uma dor nas costas absurda) de uma menina que está vendo aos poucos todos suas qualidades irem pelo ralo. Quem sabe, no futuro até ganhe uma plaquinha de honra ao mérito por ter salvado alguém??? Seria bacana né?
Responde logo tá? Todos já cansamos dessa brincadeirinha de esperar infinitamente.

Se cuide e até logo!”

É, infelizmente não acredito muito nessa coisa de ser tão excêntrica… mas posso passar a acreditar se até poucos dias após o Carnaval (pois o Brasil só começa a funcionar depois dele né?) ninguém me ligar ao menos marcando uma entrevistinha se quer… ah posso!

“Não pode desanimar”, é o que todos dizem. Podem acreditar que eu tento… e como tento!!!

“O que é seu está guardado”, dizem isso também né? O meu devem ter escondido muito bem!!!!

Empregoooooo! Cadê você????? Já cansei de brincar de esconde-esconde!
Cansei!! Com direito a bico, braço cruzado e cara emburrada em algum canto por aí!

22 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Divagações, Jornalismo, Revolta | | 1 Comentário

Aaaatchim!

Aviso: Este texto está sendo escrito enquanto uma dor de cabeça fenomenal me ataca, além de ser interrompido diversas vezes pelos meus pulos e espirros nada discretos.

Pois bem, dizem que sua mãe é aquela pessoa que deve zelar por você, que sabe de todos seus defeitos e fraquezas, que faz qualquer coisa para possibilitar seu bem estar e todo aquele blá blá blá. Certo?

Acho que a minha precisa rever este conceito. Ela sabe que eu tenho uma maldita rinite alérgica totalmente sensível a qualquer cheiro mais forte, mas ela realmente parece não ligar. Apesar de toda minha reclamação durante os dias de limpeza ela insiste em limpar tudo com os produtos mais abomináveis pelo meu nariz, olhos e garganta: removedor e cândida.

Agora mesmo, eu deveria estar lá no meu banheiro tomando uma bela ducha pra me livrar dessa nhaca produzida pelo calor, ouvindo alguma coisa bem alto (acho que a Lennon ainda está no CD player) e desfrutando da maravilhosa sensação que é a água caindo no meu corpo. Mas não, estou aqui escrevendo, reclamando e martirizando seus olhos com todo esse mau humor repentino.

Tudo isso porque não só meu banheiro, como também meu quarto está envolto em um odor maligno. Só de me aproximar a garganta começa a fechar suavemente, os olhos a lacrimejarem nem um pouco suavemente e os espirros entram em festa. É realmente uma beleza!

Pior: existe removedor sem cheiro mas ela não usa, “não limpa tão bem quanto o outro”.

Síndrome de limpeza é algo preocupante não acham? A casa fica limpa, mas a filha padece!

15 Janeiro, 2008 Publicado por robservando | Revolta | | 2 Comentários