Stand-up candy
Tenho trabalhado cerca de 11 horas por dia, de segunda a sexta. Como se não bastasse ainda tenho direito a mais algumas horas de trabalho durante feriados e finais de semana. Trabalho com rádio, a audiçao é minha principal ferramenta. E eu, tão viciada em música, ando bem amiga do silêncio quando me é permitido.
Hoje quando peguei o primeiro ônibus (de 2 necessários) pra voltar pra casa depois de uma cansativa quinta-feira me deparo com um verdadeiro stand-up do vendedor de balas. E o pior?? Não dei risada nenhuma.
Se já é um porre você querer ficar no silêncio e ter criança chorando, mãe gritando, sem-noção com radinho sem fone, gente histérica no celular contando altos babados e um cara vendendo qualquer coisa com aquele discurso batido “Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui trabalhando honestamente vendendo…” Imagina com um vendedor querendo inovar?!?!
O cara vendia as mesmas balas de “iorgute” e “aquelas que fazem bem pra garganta que vendem na farmácia, as de eucaliptcho”. Mas tinha uma postura toda Rafinha Bastos. De repente ele inventava um tema e desenrolava 50 piadas sem graça relacionadas. Até chegar é claro, no mote preferido de quem quer ganhar o povo… Jesus!
Ninguém merece!!
Anoite aí, conselho pra ser um vendedo bem sucedido: Fique quietinho degustando as preciosas balinhas que você usa como mercadoria.Faça também uma cara bem convincente de quem tem todo um discurso pronto na ponta da língua mas a bala é tão boa que você prefere sentir o gostinho a gastar saliva.
Garanto que vai ser tiro e queda. Passar vontade é uma grande arma da propaganda. E se você for vender alguma coisa no ônibus que eu estiver e usar dessa estratégia garanto que compro. Não por vontade, mas por agradecimento por poupar meus ouvidos de tanta asneira.
Funny little frog
De um jeito um tanto torto, desengonçado e repentino ela sempre dá um jeito de se fazer notar.
Aproxima seu manto em vultos, em devaneios que começam curtos até virar um monólogo concreto e muitas vezes sem sentido.
Não tem hora certa, muito menos o menor senso de ocasião. Nunca se importou em ser demais ou se quer em ter recebido convite, se quer ter cabimento.
Ela é mais ela. Sabe que é forte e me enfrenta, na maioria das vezes perco e me rendo. Sou dela, mesmo sem saber o porquê.
Com ela me sinto deslocada, incompreendida e diferente ao extremo dos outros. É como se ela me bastasse, mas eu nem se quer a queria por perto. Se eu pudesse escolher, é claro.
Pra você pode ser uma escolha, pra mim não é. Ela chega e se impõe. Cabe a mim ver no que dá… se é que dá.
Domingo eu parto e deixo ela aqui, assim espero. Tirar os pés do chão e enxergar a vida longe dela. É o que preciso!
Até a volta!
De lá pra cá
Da última vez que escrevi aqui passaram-se quase 2 meses, diversos dias, um bocado de horas, minutos e segundos. Mais do que uma vida de um inseto, dois salários, algumas amizades, noites de sono e manhãs de trabalho árduo.
Nesse tempo fotografei a chuva, a lua e o sol. Sonhei com minha vó, senti saudades e tristeza. Passei por dias que duraram uma eternidade e dias que não chegaram nem a ter 12 horas quanto mais as sonhadas 36.
Vi um passarinho morto na calçada e brinquei com um cachorro virtual. Vi minha prima casar e minhas sobrinhas crescerem. Planejei viagens e férias. Fiquei naquele abraço sem pensar em nada, pensando em tudo e mais um pouco.
Esqueci da vida lá de fora sem esquecer o que realmente me faz bem. Dancei ao som de bandas que vejo muitos shows e de outras que não via há muito tempo. Descobri amigos mais sinceros e importantes do que esperava, reforcei os que já “adotei” há muito e na base do “faz parte” aprendi a tomar cuidado com outros.
Sonhei com cursos no Senac, no Sesc e na Itália que por motivos financeiros ficaram só no sonho. Zerei minha conta bancária mas fiz crescer minha coleção de DVDs. Na linha consumista adquiri um novo All Star, alguns casacos e uma mala de viagem. Virei mulherzinha e ando querendo 50 modelos de bolsas e sapatos.
Ouvi incessantemente notícias sobre a gripe suína, a restrição de circulação aos fretados, a morte do Michael Jackson e as peripécias de José Sarney.
Ouvi novos discos de bandas que adoro que não fizeram minha cabeça. Por outro lado há rumores de shows do Faith no More, Foo Fighters e Bon Jovi.
Foram quase 2 meses de trabalho, risadas, algumas lágrimas, indecisões e uns bons abraços. Enfim, eu vivi; mesmo quando não quis. E você?
Insatisfação full time
Tenho acumulado promessas, conversas no ar, atenções devidas e pensamentos inacabados.
Tenho sentido o que não queria e deixado de aproveitar momentos importantes. Tenho apenas deixado estar. Tenho sido acometida por uma insatisfação progressiva e gradativa.
Tenho sido medíocre. E tenho muita preguiça.
Tenho sido uma esponja dos malefícios de certas pessoas. Tenho aguentado quieta situações que parecem nunca se resolver. Mas cansa.
Dos meus defeitos, ao menos, tenho plena consciência. Sei muito bem que não tenho dado o melhor de mim para os que mais merecem. E isso me machuca muito, talvez mais do que a vocês.
Peço desculpas e acumulo mais uma promessa: eu vou melhorar. Assim que a preguiça passar. Pensem pelo lado bom, ao menos a sinceridade eu não acumulo.
Pensar pra quê?
Escrevo aqui na contramão de idéias e assuntos que me assaltam durante o dia. Escrevo aqui bem menos do que me proponho. Escrevo aqui sem nenhum compromisso, sem nenhum ritual e sem nenhuma periodicidade. Escrevo aqui quando me rendo, quando resolvo assumir que penso.
Pensar pode trazer melancolia na maioria do tempo. Tenho evitado pensar só por pensar. Pensar pra refletir. Pensar pra assumir. Pensar pra constatar. Pensar como um tapa na cara pra acordar e enxergar a vida do jeitinho que ela se apresenta.
Tenho preferido fotografar. Só a parte bela da vida. Só as imagens que não devem sair de cena. Aquelas que devem ficar pra sempre guardadas na memória, no papel e em uma mídia qualquer.
Ontem foi um dia desses, em que juntei amigos, idéias e minha câmera. Rende boas risadas, provalvemente algumas boas fotos. (Acharam que eu fazia um favor, mas na verdade a favorecida master fui eu. Poder “brincar” do que eu realmente queria-ser-quando-crescer é mágico.)
E o pensar fica pra depois, quando se torna inevitável, em uma viagem longa de ônibus sem MP3 ou em um plantão de domingo solitário.
“Hoje quando o sol saiu…”
Sou uma pessoa insatisfeita por natureza. Sempre quero mais. Sempre espero mais. Sempre acho que tudo devia ser perfeito; mesmo quando é bom. Bom apenas não basta, muito menos sacia.
Dona de uma apetite enorme, quero engolir o mundo de uma abocanhada só e aí, geralmente me engasgo. Fica aquele monte de informações, sentimentos e acontecimentos… todos se confundindo com o meu refluxo e se embolando dentro de mim. Certas vezes tudo isso tem até a ousadia de voltar e cair bem na minha frente, e aí eu tropeço, caio feio. Machuca. Geralmente não aprendo.
Em alguns dias perdidos e raros no entanto, me surpreendo com uma satisfação imensa em forma de sorriso estampado no rosto na hora de dormir. Só aí que percebo a felicidade que coisas simples podem proporcionar. Boa música, bons amigos e novas formas de encarar certas coisas.
Não é necessário ser perfeito. Satisfação em formato pocket preenche o vazio e não ameaça ninguém. Muito menos eu.
Uma lente e nada mais
Queria que meus olhos fossem dotados de um diafragma e um obturador. Tudo que eu quisesse registrar seria questão apenas de olhar atentamente para ajustar o foco e piscar bem rápido.
Tenho visto o mundo com olhos de uma lente mecânica qualquer. Fixo o olhar, enquadro e penso que tal imagem ficaria linda em uma moldura, ou em uma parede qualquer. Têm também aquelas que deviam ser queimadas, veladas ou deletadas, à gosto do freguês.
Na última segunda, enquanto esperava sentada no primeiro ponto de ônibus da avenida Paulista quase fui capaz de tal fato. Olhei tanto tempo para aquele prédio e a dança das nuvens refletidas nas janelas espelhadas que sinto que guardei a imagem aqui dentro de mim, em algum lugar. Um lugar de fácil acesso, para sempre que precisar de um pouco de paz.
Nessas horas que percebo; devo levar mais minha câmera pra passear.
O mundo sempre fica mais bonito.
sem_título
Fiquei 3 dias “em casa”. Um banco de horas estourado teria se transformado em uma semana de folga. Foram na verdade 3 dias sem trabalhar, ou seria sem ganhar?
Na segunda uma despedida. Apesar do dia bom e da volta prometida com hora e data marcada, o vazio cresceu. Saber que quando der vontade ao menos um telefonema ameniza e já conforta. Agora tem que esperar pelo dia 14, quase 15. Até lá é um buraco crescendo e fazendo eco.
Terça e quarta sem muito o que fazer, deixava a parte divertida para o final da semana. Pensamentos pipocam, desgostos amargam a boca e inseguranças apertam o peito. E eu achava que tinha mudado. Na verdade só havia me ocupado. Cabeça vazia oficina do capeta. Nunca vi ditado mais sábio e verdadeiro.
A chuva chegou como sempre no mesmo horário. Com ela a sensação de que tudo vai por água abaixo, rua sem fim. Mas ela passa e tudo fica. O calor aumenta e a angústia também. Um sufoco. Uma sede que água nenhuma dá conta.
No fim são só um montante de palavras sem muito nexo jogadas em um bloco de notas sem título. Tão confusas como o turbilhão que me acomete a cada minuto. Sem revisão e sem direito a correção. Que fique assim, do jeito que tiver que ser.
No fim, acabou a folga. Acabou a possibilidade de coisas diferentes. Tudo ficou pra trás e na verdade nada mudou.
Amanhã tudo volta.
50 dias em um
Só porque toda vez que tenho 50 dias em um, 49 deles são ruins.
E porque ele está lá, no lugar costumeiro. Depois de criar a situação e transformar meu dia em 49 ruins.
Definitivamente não era amor o que tinha naqueles olhos… e eu ainda acho que devia ser. A palavra incondicional é muito fora de moda, principalmente quando se vive 50 dias em um.
Ele sempre esteve lá mas o espaço parece cada vez menor. Alguém tem que sair, mas ninguém se move.
O óbvio fica subentendido e jogado pra baixo do tapete. É mais fácil culpar quem não fez nada de errado.
É difícil demais viver 50 dias em um. Ainda mais pra quem se importa…
2009 já é um fato!
O fato é que é mais do que batido que o primeiro post do ano seja falando sobre 2009. Fato também é que eu não gosto muito de fazer coisas já previstas e ou esperadas. Mas o fato principal é que eu preciso escrever aqui. Tem até gente me cobrando, além de mim ainda! E aí só somar todos esses fatos ao principal e ainda mais batido falta de assunto que você terá esse post.
Porém, só faço isso porque fato também é que de vez em quando preciso me forçar a escrever aqui pra não esquecer como se faz. Pra lembrar de mim. Pra saber sobre minha vida. Só escrevendo que me descubro, sempre foi assim, fato! Melhor terapia não há, fato²!!
Bom, mas 2009 está aí não é? Há exatos 11 dias. Nunca entendi muito bem essa passagem e a festa que fazem para/por ela. Mas é um fato que há a necessidade de ritos de passagem. Também é um modo de forçar as pessoas a lembrarem de si e saberem sobre suas vidas.
Sobre mim só tenho a dizer o quanto o último semestre de 2008 me trouxe coisas boas. Nos mais diferentes segmentos que garantiram sorrisos. E basicamente é isso que importa: estar feliz; não é um fato? Ninguém ousa discordar.
De 2009 eu não espero nada além de fatos felizes. Fatos tristes irão acontecer porque “faz parte” e eles são bem vindos até (é só esperar o tempo mostrar isso), afinal é crescimento, aprendizagem. Mas o que mais espero vai muito além de fatos, são aquelas coisas abstratas, sonhos, devaneios, divagações… tudo aquilo que faz a vida construída a cada ano ficar cada vez melhor.
Feliz 2009 pra você!


